quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

AGU garante aplicação de resolução do Conanda

A Advocacia-Geral da União reverteu, na Justiça, uma decisão liminar que impedia que doadores privados indicassem um plano de ação para o destino dos valores cedidos ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Essa possibilidade está prevista nos artigos 12 e 13 da Resolução 137/2010 do órgão.
A liminar derrubada atendia ao Ministério Público Federal, que argumentava que os dispositivos limitavam a competência exclusiva do gestor público para definir o destino das verbas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, geridos pelo Conanda.
A Procuradoria Regional da União da 1ª Região, que atuou no caso, sustentou que a proibição do doador sugerir um plano de ação específico traria desestímulo e consequente redução de recursos para projetos na área, incluindo convênios firmados com a sociedade civil e entes da Federação, o que abrange Poderes Executivos regionais ou locais, Tribunais de Justiça, Ministérios Públicos e Defensorias em todo o país.
Os advogados da União afirmaram que, além disso, a liminar interferia diretamente na gestão administrativa de políticas públicas envolvendo crianças e adolescentes, invadindo a competência do Conand, conforme o artigo 2o da Lei 8242/91, e impedindo que a entidade use da liberdade a ela atribuída para definir a atuação mais adequada para a satisfação dos atendidos pelas verbas privadas.A Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) acolheu o pedido da AGU e suspendeu os efeitos da liminar concedida ao MPF.
O juiz destacou que a impossibilidade de escolha do destino dos recursos pelos doadores privados "implica em grave lesão à ordem pública, considerada em termos de ordem administrativa, uma vez que interfere indevidamente nas atribuições e competências do Conanda, com aptidão concreta para acarretar substancial decréscimo nas doações para os Fundos da Criança e do Adolescente".

Fonte: Revista Consultor Jurídico, com informações da Assessoria de Imprensa da AGU

Quilombolas ganham reconhecimento legal pela 1ª vez no Ceará

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

80 anos do direito de voto feminino no Brasil

No dia 24 de fevereiro de 2012, o Brasil comemora os 80 anos do direito de voto feminino. As mulheres passaram a ter o direito de voto assegurado pelo Decreto nº 21.076, de 24/02/1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Esta conquista, porém, não foi gratuita.

A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII. No início da Revolução Francesa, o Marquês de Condorcet – matemático, filósofo e iluminista – foi uma das primeiras vozes a defender o direito das mulheres. Nos debates da Assembleia Nacional, em 1790, ele protestou contra os políticos que excluíam as mulheres do direito ao voto universal, dizendo o seguinte: “Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos; e aquele que vota contra o direito do outro, seja qual for sua religião, cor ou sexo, desde logo abjurou os seus”.

As ondas revolucionárias francesas chegaram na Inglaterra e os escritores progressistas Mary Wollstonecraft – no livro A Vindication of the Rights of Woman (1792) – e William Godwin – no livro An Enquiry Concerning Political Justice (1793) – também defenderam os direitos das mulheres e a construção de uma sociedade democrática, justa, próspera e livre.

Mas a luta pelo direito de voto feminino só se tranformou no movimento sufragista após os escritos de Helen Taylor e John Stuart Mill. O grande economista inglês escreveu o livro  The Subjection of Women (1861, e publicado em 1869) em que mostra que a subjugação legal das mulheres é uma discriminação, devendo ser substituída pela igualdade total de direitos.

Com base no pensamento destes escritores pioneiros, o movimento sufragista nasceu para estender o direito de voto (sufrágio) às mulheres. Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard. Outro marco neste processo foi a fundação, em 1897, da “União Nacional pelo Sufrágio Feminino”, por Millicent Fawcett, na Inglaterra. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, as mulheres conquistaram o direito de voto no Reino Unido, em 1918, e nos Estados Unidos, em 1919.

No Brasil, uma líder fundamental foi Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976). Bertha Lutz conheceu os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX e foi uma das principais responsáveis pela organização do movimento sufragista no Brasil. Ajudou a criar, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922 (centenário da Independência do Brasil). Representou o Brasil na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos EUA, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Após a Revolução de 1930 e dez anos depois da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória no dia 24/02/1932.

A primeira mulher eleita deputada federal foi Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), que tomou posse em 1934 e participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, houve o fechamento do Legislativo brasileiro e grande recuo das liberdades democráticas. Na retomada do processo de democratização, em 1946, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara. Até 1982, o número de mulheres eleitas para o Legislativo brasileiro poderia ser contado nos dedos da mão.

Somente com o processo de redemocratização, da Nova República, o número de mulheres começou a aumentar. Foram eleitas 26 deputadas federais em 1986, 32 em 1994, 42 em 2002 e 45 deputadas em 2006 e 2010. Mas este número representa apenas 9% dos 513 deputados da Câmara Federal. No ranking internacional da Inter-Parliamentary Union (IPU), o Brasil se encontra atualmente no 142º lugar. Em todo o continente americano, o Brasil perde na participação feminina no Parlamento para quase todos os países, empata com o Panamá e está à frente apenas do Haiti e Belize. No mundo, o Brasil perde até para países como Iraque e Afeganistão, além de estar a uma grande distância de outros países de lingua portuguesa como Angola, Moçambique e Timor Leste.

Portanto, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.

Nas eleições de 2010, a grande novidade foi a eleição da primeira mulher para a chefia da República. Neste aspecto, o Brasil deu um grande salto na equidade de gênero, sendo uns dos 20 países do mundo que possui mulher na chefia do Poder Executivo. Com a alternância de gênero no Palácio do Planalto, o número de ministras cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.

Nos municípios, as mulheres são, atualmente, menos de 10% das chefias das prefeituras. Nas Câmaras Municipais as mulheres são cerca de 12% dos vereadores. Mas, em 2012, quando se comemoram os 80 anos do direito de voto feminino, haverá eleicões municipais. A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que, se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais poderá ser reduzida.

As mulheres brasileiras já possuem nível de escolaridade maior do que o dos homens, possuem maior esperança de vida e são maioria da População Economicamente Ativa (PEA) com mais de 11 anos de estudo. Elas já avançaram muito em termos sociais e não merecem esperar mais 80 anos para conseguir igualdade na participação política.

Por: José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE).
Contato com o autor: (21) 2142-4689, (21) 2142-4696, (21) 9966-6432 ou jed_alves@yahoo.com.br.
 
Fonte: Agência Patrícia Galvão e RETS

Dá para acreditar nas listas de tendências do Twitter?


Algumas tecnologias são como salsichas – consumimos sem saber exatamente de que são feitas, e preferimos não pensar nisso enquanto saboreamos o cachorro-quente. O artigo de Tarleton Gillespie que abre a edição mais recente da revista poliTICs trata deste fenômeno, em sua análise crítica e bastante razoável sobre as listas de tendências (trends) do Twitter – e sobre evidente ausência de neutralidade dos algoritmos que estão por trás delas.

Gillespie alimenta uma reflexão necessária, abordando temas como a censura no Twitter e os verdadeiros interesses que se escondem por trás de tecnologias aparentemente "neutras".
A edição continua com outra pergunta que não quer calar: o que será da imprensa norte-americana e da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, se o WikiLeaks for processado pelo governo daquele país? A questão é explorada pelo ativista da Electronic Frontier Foundation, Trevor Timm – que também faz uma análise do impacto do episódio Cablegate no jornalismo de seis países considerados centrais para a política externa dos EUA.
Carlos Afonso, diretor executivo do Instituto Nupef e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil apresenta um detalhado relato sobre a criação do CGI. br e sua história, bem como sobre seu funcionamento. Seu artigo explicita desafios prementes com relação ao futuro da entidade, especialmente no que diz respeito às decisões sobre a alocação dos recursos arrecadados com a distribuição de nomes de domíno “.br” e endereços IP. Outra reflexão inadiável.
A encruzilhada em que a sociedade civil se encontra, em relação aos debates de políticas e governança da Internet é o foco do texto de Avri Doria – uma experiente ativista que acompanha os principais fóruns políticos e técnicos sobre a Internet desde sua criação. É importante o alerta que Avri faz: a sociedade civil, desarticulada, vem perdendo força na defesa de suas posições. É hora de uma virada.
Finalizando esta edição, temos a oportunidade de entender um pouco melhor o quanto anda sombrio o panorama para os usuários de Internet na Índia, onde o governo exerce censura através de leis que, alegadamente, protegeriam as pessoas de conteúdos “impróprios” e “prejudiciais” aos cidadãos, além de estimular práticas questionáveis de “autorregulação” entre os intermediários de Internet. Pranesh Prakash, do Center for Internet and Society em Bangalore, mostra que, assim como as salsichas e os supostos algoritmos “neutros”, a autorregulação indiana também é difícil de engolir.

Confira a poliTICs online: http://www.politics.org.br/?q=node/104

Fonte: RETS

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fundação Telefônica/Vivo apoia encontro de educadores em João Pessoa

A Fundação Telefônica/Vivo vai apoiar o Encontro dos Tutores do Proinfo, evento que será promovido pela regional local da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), em João Pessoa, entre 27 e 29 de fevereiro. Representantes de 112 municípios paraibanos estarão reunidos no Hotel Caiçara, com o objetivo de discutir o uso das tecnologias na educação.
A abertura do evento contará com a participação da consultora da Fundação Telefônica/Vivo, Sonia Bertocchi. Ela fará palestra no dia 27, às 9h, sobre “A importância do uso das tecnologias aplicadas na educação e o papel do professor diante dessa realidade”. Com 35 anos de experiência em Educação, a especialista iniciou carreira como professora da Área de Códigos e Linguagens em escolas públicas e particulares brasileiras. Atuou na produção e gestão e-learning (EAD) e foi pesquisadora do CENPEC – Centro de Pesquisas em Educação, Cultura Ação Comunitária -, durante oito anos, período em que colaborou no Programa EducaRede, iniciativa da Fundação Telefônica, e em outros programas da área de Educação e Tecnologia. Sonia é autora do blog Lousa Digital e desenvolve atividade intensa nas redes sociais.

Fonte: Assessoria de imprensa da Fundação Telefônica/Vivo e Pró-Menino

domingo, 26 de fevereiro de 2012

XXIV Congresso Nacional da ABMP




Com o tema "Justiça em rede: articulação e ação sistêmica para a garantia efetiva de direitos de crianças e adolescentes e seu atendimento adequado", acontece nos dias 16, 17 e 18 de maio de 2012 a 24ª edição do Congresso Nacional da ABMP. O local escolhido é o Centro de Eventos do Hotel Praiamar, em Natal (RN).
Realizado a cada dois anos, o encontro está tradicionalmente na agenda dos atores dos Sistemas de Justiça e de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes, servindo-se de um espaço de qualificação, articulação e mobilização de magistrados, promotores de justiça, defensores públicos, conselheiros tutelares, conselheiros dos direitos, educadores, profissionais de programas de atendimento, gestores e parlamentares.
Este ano, o evento assume uma perspectiva progressista e conta com uma programação interdisciplinar, interinstitucional e internacional, desenvolvida por meio de palestras, oficinas, debates e apresentação de teses voltadas à reflexão sobre os Desafios Contemporâneos Na Defesa Dos Direitos De Crianças E Adolescentes - Proteção integral, prioridade absoluta e ação sistêmica.

Para se inscrever clique aqui

Fonte: ABMP

Pelo menos cinco crianças morrem de fome a cada minuto, diz ONG

A organização não governamental (ONG) Salvem as Crianças divulgou no dia 16/02, relatório informando que a cada minuto morrem cinco crianças no mundo em decorrência da desnutrição crônica. O documento adverte que cerca de 500 milhões de crianças correm risco de sequelas permanentes no organismo nos próximos 15 anos.
De acordo com a ONG, a morte de 2 milhões de crianças por ano poderia ser prevenida se a desnutrição fosse combatida. O documento informa ainda que embora a fome tenha sido reduzida nas últimas duas décadas, pelo menos seis países são mais afetados – cinco estão na África e o sexto é a Coreia do Norte.
Pelos dados da organização, os países africanos - Congo, Burundi, Comores, Suazilândia e  Costa do Marfim - têm os piores dados referentes à fome no mundo desde 1990. Situação oposta ocorre no Kwait, na Turquia, Malásia e no México, que conseguiram avançar e registrar melhorias.

Fonte: Agência Brasil, com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa

Governo estuda aumento da idade para crianças e adolescentes viajarem sozinhos

Após denúncias de que adolescentes são aliciados para serem transformados em transexuais e explorados sexualmente em São Paulo, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República anunciou ontem que está estudando medidas para enfrentar o problema. Como os adolescentes são em sua maioria oriundos das regiões Norte e Nordeste do país, uma das mudanças estudadas é a revisão dos procedimentos e da idade necessária para viagens de menores desacompanhados. Atualmente, menores de 12 anos só viajam sozinhos se tiverem autorização dos pais.
“Discutimos estratégias referentes a mecanismos de maior controle sobre autorização de viagens para adolescentes. Talvez até uma revisão do marco legal vigente, que situa essa necessidade apenas para os menores de 12 anos. Estamos estudando a revisão desse marco”,  disse a secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos, Carmen Oliveira.
“Quando se estabeleceu a idade, a medida visava o tráfico de crianças para a adoção, mas não se pensava na questão de aliciamento para exploração sexual”, explicou o promotor da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, Thales de Oliveira.
Na tarde de ontem, Carmen e Oliveira se reuniram com a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e com representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e do Ministério Público Federal para tratar das denúncias publicadas no último domingo.
Carmen anunciou que serão criadas condições para permitir o retorno dos adolescentes às suas cidades de origem. Também serão mapeadas as vulnerabilidades às quais eles estão expostos em suas cidades de origem, com o objetivo de evitar novos aliciamentos. Segundo o promotor Oliveira, um dos pontos discutidos na reunião foi a necessidade de agilizar o repasse para a compra de passagens de adolescentes que procuram ajuda oficial para retornar para casa.
“Há uma prioridade para criar condições de retorno para os adolescentes. E vamos agendar reuniões com as redes de proteção dos estados que aparecem como os estados de origem mais predominantes, e estabelecer condições de retorno em segurança”, afirmou a secretária.
Carmem disse que ainda está sendo estudado quais órgãos farão a abordagem direta aos adolescentes explorados. Poderá ser por meio do MP, dos conselhos tutelares, ou até mesmo da rede LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).
Reunião – Também anteciparam da reunião membros da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público de São Paulo e Ministério Público Federal.

Fonte: SDH, com informações do jornal O Globo

Artigo pontua avanços promovidos com a aprovação da lei do Sinase

Texto de Miriam Maria José dos Santos, vice-presidente do CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A Lei do SINASE, que foi sancionada pela Presidenta Dilma Roussef em janeiro/12, traz definições importantes para o desenvolvimento dos trabalhos dos Conselhos dos Direitos no que diz respeito às Medidas Socioeducativas. Podemos citar algumas.
Para o CONANDA, aprovar o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, sempre em parceria com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. É um importante instrumento que norteará a execução da política socioeducativa pelos entes federados, definindo princípios e diretrizes para sua execução, devendo conter, entre outros itens:
•    A definição de como ocorrerá a parceria técnica e financeira entre União, Estados/Distrito Federal e Municípios;
•    Como será instituído e mantido o Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo;
•     A criação da política de qualificação dos profissionais e gestores do sistema;
•    Estabelecendo diretrizes sobre a organização e funcionamento das unidades e programas de atendimento e as normas de referência destinadas ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação e semiliberdade;
•    Instituindo e mantendo processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo, seus planos, entidades.
Também é definido como papel do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) normatizar, deliberar, avaliar e fiscalizar o Sinase, da seguinte forma: avaliando os planos de atendimento socioeducativo, os programas de atendimento e a gestão do atendimento socioeducativo.
A Lei do SINASE comparada à Resolução do CONANDA, aprovada em 2006, lembrando que os dois instrumentos foram trabalhados de forma concomitante pelo CONANDA e outros importantes atores do SGD como: SDH, MP, Justiça da Infância, ABMP, FONACRIAD, etc, trouxe aprimoramentos.
Aprimoramentos como:
•    a responsabilização dos gestores, operadores e entidades de atendimento;

•    Define a forma de financiamento e as prioridades do sistema, por parte dos Conselhos dos Direitos, nas 3 (três) esferas de governo;
•    O percentual de recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente a serem aplicados no financiamento das ações previstas no Sinase;
•    A obrigação dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, do DF e municipais de divulgarem amplamente à comunidade a avaliação dos resultados dos projetos beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de outras determinações.
Mas há também desafios: garantir recursos nos orçamentos nacional, estaduais/DF e municipais para execução das medidas socioeducativas. Fortalecer os Conselhos dos Direitos em seu papel deliberativo e controlador das ações em todos os níveis, universalizar o atendimento das medidas socioeducativas em meio aberto nos municípios, humanizar as estruturas físicas nas unidades de atendimento socioeducativo, garantir formação humana e profissional àqueles que trabalham ou atendem os adolescentes que praticam ato infracional e, por fim, convencer a sociedade brasileira de que crianças e adolescentes são prioridade absoluta e que o Estatuto "não passa a mão na cabeça dos adolescentes", o ECA responsabiliza os adolescentes que cometem ato infracional e que quem não cumpre com suas obrigações são o Estado, pois não prioriza no orçamento a infância e a adolescência, e a sociedade, que não protege suas crianças.

Fonte: Portal dos direitos da criança e do adolescente

ELEIÇÃO CONSELHO TUTELAR IPOJUCA 2012

Campanha Nacional Criança não é de Rua - Encontro em Recife

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Curso de inglês gratuito é oferecido por escola de idiomas do Recife

Só pode participar do programa aluno de escola pública.
São 50 bolsas integrais em um curso de dois anos.

Aprender inglês, considerada a “língua universal”, é apontado como uma ótima chance de garantir sucesso na carreira profissional. Estudantes de escolas públicas, entre 14 e 16 anos, que gostariam de aprender a língua têm até esta sexta-feira (24) para se inscrever no Programa English Access, promovido em parceria entre o governo americano e a Associação Brasil-América (ABA). São oferecidas 50 bolsas integrais em um curso de dois anos.

Só podem participar do programa estudantes que não saibam inglês ou tenham conhecimento mínimo do idioma. Mas quem já fez o curso, garante: no final, a realidade é bem diferente. Jade Lins, aluna do Colégio Santos Dumont, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, participou do English Acess a partir de 2010 e, hoje, já dá aula de inglês para a vizinha do prédio. “Tinha muita vontade de aprender a língua inglesa. Quando tive a oportunidade, fiz a prova dando o melhor de mim para conseguir passar. Não faltei aula e foi fácil aprender e pegar o assunto logo”, contou.

Jade, que tem 16 anos, conseguiu ir até São Paulo passar seis dias só falando inglês com outros 29 jovens, ficando hospedada em hotel e também em casa de americanos. O objetivo agora é participar de um programa para passar três semanas nos Estados Unidos. A estudante tem consciência de que não teria outra forma de conseguir essas oportunidades se não fosse se dedicando aos estudos da língua. “Foi a melhor oportunidade da minha vida, foi uma oportunidade única. Não me arrependo de ter deixado de sair nos sábados ou sextas para ir ao curso. Muitas portas se abriram”, falou.

A jovem já recebeu até proposta de emprego. A negociação só não foi concluída devido à pouca idade da garota. Jade, que está no 3º ano do ensino médio, ainda não sabe ao certo em que curso vai se inscrever no vestibular. Mas a vontade está pendendo para relações internacionais, para colocar em prática o que já aprendeu e seguir no caminho de conhecer novos idiomas.

Todos os custos com o programa, como o material didático e transporte, são pagos pelo governo americano e pela ABA. Além das aulas regulares, os estudantes participam de atividades culturais, atividades online e de eventos desenvolvidos pelo consulado norte-americano. No início e no final do programa, os alunos recebem um certificado assinado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Os interessados devem preencher o formulário de inscrição e um formulário de recomendação, que podem ser obtidos no site da ABA. Os documentos exigidos devem ser levados, junto com as fichas, à sede da ABA do bairro dos Aflitos, na Zona Norte do Recife. A lista dos alunos selecionados será divulgada no dia 7 de março. As aulas acontecem na ABA do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul, com turmas pela manhã na segunda e quarta, à tarde na sexta ou nas manhãs de sábado.

Fonte: G1 PE

João da Costa: “Não tem nenhum motivo para que eu não seja candidato”

 João da Costa diz que está mantendo os compromissos com a Cidade

Com o fim do Carnaval, o prazo para a definição dos candidatos para o próximo pleito se aproxima, assim como se intensificam as articulações visando definir a estratégia ideal para a disputa. De olho na chance de protagonizar a corrida às urnas para a Prefeitura do Recife, o prefeito João da Costa (PT) dá mais ênfase na defesa do seu governo e, principalmente, da sua pré-candidatura. Desacreditado por aliados e correligionários sobre sua capacidade política e administrativa de disputar a reeleição no Recife, o gestor petista não titubeou e disparou: “Não tem nenhum motivo para que eu não seja candidato“.
A declaração foi dada após a entrevista coletiva do balanço do Carnaval 2012, ontem, no Bairro do Recife. Na ocasião, o prefeito fez questão de ressaltar que não só está mantendo os compromissos do projeto petista na cidade como também está avançando. “O que a gente está fazendo aqui é dar continuidade a esse projeto e avançando. Não é uma marca, mas avançar. Na vida pública, você acaba assumindo esses compromissos de dar continuidade naquilo que estamos fazendo”, reforçou.
O prefeito ainda opinou que o sucesso do Carnaval deste ano foi uma “unanimidade” e que o trabalho para realizar o evento se repete em outras esferas da administração. “O que a gente está fazendo não é só no Carnaval, mas na habitação, na manutenção da cidade, na mobilidade urbana, na educação. O Carnaval, pela sua expressão, talvez seja a melhor síntese disso”, colocou. Apesar da defesa do Carnaval, o gestor evitou comentar assuntos polêmicos como a denúncia no superfaturamento na contratação de fogos de artifício, pela Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR). No entanto, o petista saiu em defesa da presidente do órgão, Luciana Félix, que saiu logo após o fim da coletiva.
Incomodado com a insistência dos questionamentos dos repórteres, João da Costa acabou ficando irritado e apontou: “É por isso que o Carnaval de Salvador e do Rio ganham mais destaque do que o do Recife. Não é possível que numa coletiva para falar sobre a beleza e grandeza do Carnaval, só perguntem coisas negativas sobre a cidade. É de lascar”, criticou, sendo logo em seguida acalmado pelos assessores.
Em relação ao prazo estabelecido pelo presidente estadual do PT, Pedro Eugênio, João da Costa se mostrou tranquilo. Em entrevista durante os festejos carnavalescos, o dirigente colocou que a sigla deve definir até março o seu candidato. Além disso, Eugênio apontou que o principal problema do gestor petista não é administrativo, mas político. “Eu estou trabalhando com o tempo da política e o nosso prazo é o calendário eleitoral”, rebateu. No início do ano, a Construindo um Novo Brasil (CNB) foi a primeira a estabelecer o mês de fevereiro como o prazo final para a escolha. No entanto, após críticas, o segmento recuou e nenhum petista voltou a falar sobre o assunto.
 
Fonte: Folha de Pernambuco

30 anos de Aids: a história social de uma epidemia e da resposta brasileira

Cada uma das três décadas da epidemia da Aids no Brasil está implicada em valores éticos e políticos articulados por profissionais de saúde, pesquisadores e pelo movimento social, nacional e internacionalmente.

Anos 1980. A Década do Sofrimento e da Solidariedade

Lembrar o sofrimento profundo de todas as pessoas vivendo com HIV e AIDS nas primeiras décadas é fundamental. Esse sofrimento permanece até hoje, onde impera a negação, onde a resposta social e programática enfraquece, é ineficaz ou inexiste.

A solidariedade surgiu nos anos 1980 como uma resposta humana dos amigos, familiares e amantes dos portadores de HIV/AIDS. Naquele contexto assustador – de uma doença desconhecida, sem tratamento e sem previsão de cura –, a construção da cidadania pós-ditadura militar também articulava a solidariedade de diversos movimentos sociais que contestavam a desigualdade, a violência racista e sexista, e a dominação de classe da época. Inspirados na teologia e na pedagogia da libertação, no movimento da reforma sanitária e nos nascentes movimentos sociais (homossexual, feminista e negro), articulavam-se noções como “somos todos positivos”, “somos parte da solução e não o problema”, ou queremos a “cura” e não a “morte civil”. Os princípios éticos eram a solidariedade, a valorização da diversidade, e a equidade que se organizavam politicamente na ideia mobilizadora da democracia como princípio, da cidadania e da saúde como um direito básico de cada cidadão.

Esses foram os anos em que o cuidado aos doentes e o controle do sangue estavam no centro da cena. Foi com grande demora (apenas no fim da década) que proibiu-se o “negócio do sangue” e conseguiu-se contrapor o princípio da saúde como direito à noção da promoção da saúde como negócio e mercadoria.

Anos 1990. Direitos Humanos, Justiça e Vulnerabilidade Social

Do sofrimento e da solidariedade, das demandas sociais locais e estaduais que exigem a criação de uma resposta governamental, resulta, finalmente, no Programa Nacional de AIDS. Ao mesmo tempo, a Constituinte de 1988 sustenta a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990, com o objetivo de garantir a todos os brasileiros a prevenção e o tratamento, sem qualquer tipo de discriminação.

Começa-se a investir fortemente e ampliar a prevenção - centrada na promoção universal do uso do preservativo, nas políticas de redução de danos entre usuários de drogas injetáveis (com distribuição de seringas). Cresce a mobilização social e de profissionais de saúde no SUS a favor de uma política de acesso aos medicamentos eficazes, acirrada em 1996 com a comprovação da eficácia do chamado “Coquetel com Anti-Retrovirais”. O Brasil foi o primeiro país a contrariar o consenso das agências internacionais e do Banco Mundial guiados pela teoria do cost-effectiveness, furou o bloqueio dos economistas conservadores (neo-liberais) e tornou insustentável o argumento “não há nada a fazer para pessoas vivendo com AIDS em países mais pobres”. Deu no New York Times:

“Brazil is showing that no one who dies of AIDS dies of natural causes”

O Brasil venceu a batalha moral pelo acesso ao tratamento em escala global. A Lei Sarney garante acesso ao tratamento e demonstra que vontade política e boa gestão são cost-effective. A integralidade, a universalidade, a participação e a inclusão social (princípios do SUS e das abordagens baseadas nos Direitos Humanos) evitaram gastos porque as pessoas não adoeceram através do acesso universal à prevenção adaptada a cada grupo, ao teste anti-IIV, aos medicamentos e aos serviços de saúde de qualidade e quase eliminou a transmissão do vírus de pais para filhos ou por produtos de sangue.

Anos 2000. No Brasil e no Mundo: promover direitos tem impacto sobre a epidemia

Nos anos 2000, o Brasil se fortalece como ator nos debates globais sobre o enfrentamento da epidemia. A resposta organizada no âmbito da saúde pública e do estado laico, com respeito à diversidade religiosa mas combatendo o estigma e a discriminação sexual, de gênero e racial, assim como o direito à saúde expresso no acesso universal ao preservativo e aos antirretrovirais, demonstram a eficácia dos princípios básicos do movimento da reforma sanitária e do SUS.

Por exemplo: consolida-se um banco de dados internacional sobre medicamentos mais baratos e a noção de que vulnerabilidade ao adoecimento é também um produto social e político, cuja resposta é a solidariedade e a proteção de direitos humanos. Nos debates sobre comércio, propriedade intelectual e o uso de licenciamento compulsório em benefício da saúde pública, o Brasil é respaldado por um movimento social forte que sustenta a ação da política externa do governo brasileiro.

Finalmente, a estabilização e o “controle da epidemia” são conquistas verdadeiras das últimas décadas. Mas podemos mais. Temos recursos para curvar os índices de casos de AIDS para baixo, se ampliarmos a qualidade da atenção e da prevenção, combinarmos o acesso ao teste e ao preservativo com novas intervenções (profilaxia pré e pós-exposição, por exemplo), sem considerar nenhuma delas a única opção “mágica”, biomédica ou psicossocial. A história mostra que a prevenção e o cuidado só são eficazes em contextos de garantia de direitos humanos, sem estigma e discriminação.

Essas conquistas serão sempre ameaçadas por forças políticas com outros valores. A persistência de uma boa análise social e humanista, uma resposta baseada em direitos e um movimento militante, disposto a lutar para proteger estas conquistas é o que garante continuidade e sustentabilidade ampliada da resposta no Brasil e no mundo.

Confira a página no Facebook 30 anos de Aids: a 4ª Década Pode Ser a Última - A Exposição

Veja o documentário 30 Anos de AIDS: a 4ª Década Será a Última?
RETS

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

DIGA NÃO!


DIGA NÃO!

ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES É CRIME.

Dicas para prevenir o abuso e a exploração de crianças e adolescentes:

·         Estar bem informado sobre a realidade do abuso e da exploração sexual contra crianças e adolescentes;
·         Ouvir seus filhos e acreditar neles por mais absurdo que pareça o que estão contando;
·         Dispor de tempo para seus filhos e dar-lhes atenção;
·         Saber com quem o seus filhos estão ficando nos momentos de lazer;
·         Saber que muitas vezes o agressor pode ser uma pessoa da própria família ou pessoa em que os seus fihlos confiam;
·         Lembrar-se que o abuso e a exploração sexual podem ocorrer ainda nos primeiros anos da infância;
·         Saber que o acesso a internet sem orientação adequada pode colocar crianças e adolescentes em risco.

Telefones úteis:

Ø  Disque-Denúncia Nacional: 100
Ø  Delegacia Ipojuca: 35611933
Ø  Delegacia Porto de Galinhas: 35611937
Ø  Polícia Militar Ipojuca: 35611900
Ø  Polícia Militar Nossa Senhora do Ó: 35611902
Ø  Polícia Militar Camela: 91583383
Ø  Polícia Militar Porto de Galinhas: 35611929
Ø  Conselho Tutelar Ipojuca: 35511359
Ø  Conselho Tutelar Camela: 35514824
Ø  Conselho Tutelar Nossa Senhora do Ó: 35279039
Ø  Ministério Público: 35611911


Disque-Denúncia Ipojuca: 08002810850


Fonte: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Ipojuca

CEDES REALIZA CAMPANHA NO CARNAVAL DE IPOJUCA

O CEDES em parceria com Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, realiza neste carnaval campanha contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes nos pólos de animação de Camela, Ipojuca Sede, Nossa Senhora do Ó e praias do município.
A idéia é sensibilizar os foliões e comerciantes a evitar essa prática durante as folias de momo. Os Educadores distribuirão 5.000 planfetos com dicas para prevenir o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, além de telefones úteis para denúncias. Os planfetos foram confeccionados em português e inglês, tendo em vista que o litoral de Ipojuca é um dos principais destinos de turistas estrangeiros neste período carnavalesco.Intitulada "DIGA NÃO! ao abuso e exploração", a campanha ocorrerá durante todo o carnaval, proncipalmente na praia de Porto de Galinhas.

Por Nivaldo Pereira
Blog do CEDES






domingo, 19 de fevereiro de 2012

Salvador e Rio intensificam esforços contra discriminação e violência


Carnaval é alegria e não combina com preconceito nem discriminação. A Prefeitura de Salvador, através da Secretaria da Reparação, realiza a 7ª edição do Observatório da Discriminação Racial, Violência contra a Mulher e LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) que acontece durante a folia momesca. A idéia do programa é mapear dados de ações discriminatórias, sejam elas de origem racial, de gênero ou homofóbicas e construir indicadores que sejam utilizados como subsídios para a formulação e implantação de políticas públicas que objetivem a prevenção de discriminação e desigualdade. Em Salvador, quem presenciar ou for vítima de qualquer tipo de discriminação, racismo, ou violência contra mulher e LGBT, deve ligar para o 156 e denunciar, ou comparecer a um dos postos de atendimento, localizados no Largo dos Aflitos, Ladeira de São Bento, Pelourinho, Estação da Lapa e Ondina.

No Rio de Janeiro, a boa notícia é que também durante os dias da “Festa de Momo”, a população LGBTTIS (ou LGBT) contará com um serviço para se manter bem informada e também fazer valer seus direitos. É o Disque Cidadania, que pode ser acionado pelo telefone 0800 0234567 e que pelo segundo ano consecutivo integra o Programa Estadual Rio sem Homofobia da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro (SuperDir). Além disso, a iniciativa vai manter policiamento nos principais pontos LGBT e distribuição de materiais educativos de dicas de saúde.

Com informações da Secretaria Municipal de Reparação de Salvador e projeto Orilaxé, do AfroReggae.

Fonte: RETS

Projeto Raízes de Áfricas realiza X Ígbà em Maceió

O Projeto Raízes de Áfricas, movimento social negro alagoano, com o apoio da Fundação Cultural Palmares, Ministério da Educação/SECADI, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, dentre outros realiza de 19 a 23 de março do ano corrente, o X Ígbà- Seminário de Conversas Afro-Internacionais: “Im/Ex-pressão Afrodescendente nas Américas” que tem como objetivo dialogar, a partir das impressões e expressões, de países das Américas, sobre a capilaridade das políticas de direitos humanos, visando a afirmação e consolidação dos direitos civis e sociais das diversidades de grupos étnicos, enfatizando as populações afrodescendentes e sob a ótica de gênero, ressignificando o papel do estado, como principal condutor político para garantir e executar essas práticas.

O evento tem como base o 21 de março - “Dia Internacional contra a Discriminação Racial” e a preparação do "II Ano de Celebração da Vida e Obra de Abdias Nascimento”. Ainda, na programação teremos a apresentação do nome de Abdias Nascimento para o Livro de Aço dos Heróis Nacionais e lançamento formal do Troféu Nacional Erí-okan - Uma homenagem a Abdias Nascimento.

Informações: (82)8827-3657 e (82) 3231-4201.

Fonte: RETS

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

STF declara constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa

Resultado foi proclamado depois de quase 11 horas de julgamento entre quarta e quinta-feira

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta quinta-feira (16) a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, que valerá para as eleições deste ano. O placar final foi 7 votos a 4 para uma das principais inovações trazidas pela lei – a inelegibilidade a partir de decisão por órgão colegiado. No entanto, como a lei traz várias inovações, o placar não foi o mesmo para todos os pontos que acabaram mantidos pela maioria.
O resultado foi proclamado depois de quase 11 horas de julgamento entre quarta e quinta-feira. Celso de Mello e Cezar Peluso foram os últimos ministros a votar. Eles reafirmaram posição por uma interpretação mais restrita da lei. Um dos principais pontos atacados por ambos foi a aplicação da Lei da Ficha Limpa a casos que ocorreram antes que a lei foi criada. “A lei foi feita para reger comportamentos futuros. Como ela está, é um confisco de cidadania”, disse Peluso.
Os ministros que votaram a favor da integralidade da lei foram Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Britto. Os outros ministros da Corte foram mais ou menos resistentes à lei de acordo com a questão levantada. Antonio Dias Toffoli, por exemplo, só foi contra a regra que dá inelegibilidade por condenação criminal de órgão colegiado, aceitando todo o resto da lei.
O julgamento de hoje dá a palavra final do STF sobre a polêmica criada assim que a Lei da Ficha Limpa entrou em vigor, em junho de 2010. O Supremo já havia debatido a norma em outras ocasiões, mas apenas em questões pontuais de cada candidato. Agora todos os pontos foram analisados com a Corte completa.

Fonte: Agência Brasil e Folha de Pernambuco

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Adolescentes escravizados exerciam atividades de risco no Pará


Entre 52 libertados estavam jovens de 13 e 14 anos manuseando machados. Fazendeiro nega que eles trabalhavam e diz que ambos foram “oportunistas”

Quatro adolescentes foram encontrados entre os 52 trabalhadores resgatados de situação análoga à escravidão em fiscalização realizada na zona rural do município de Tailândia (PA), no final de janeiro, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Dois deles, de 13 e 14 anos, exerciam atividade de risco manuseando machados na extração e beneficiamento de madeira, trabalho que está entre as piores formas de exploração infantil, conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho e a legislação brasileira. Outro, de 16 anos, trabalhava com uma foice para abrir caminho para a passagem das toras. E uma garota de 15 anos trabalhava como cozinheira em uma das frentes de trabalho. Ronaldo de Araújo Costa, proprietário da fazenda em que o flagrante aconteceu, nega que tenha explorado trabalho escravo e infantil, diz que os adolescentes não trabalhavam e que foram “oportunistas” ao se depararem com a fiscalização.

“O trabalho que eles realizavam era de ‘lapidador’, eles lapidavam o tronco até deixá-lo no formato de mourões para cercas. Dois dos adolescentes utilizavam machados e um, uma foice. Eles estavam trabalhando nas frentes, não há dúvidas quanto a isso”, diz a auditora fiscal Inês Almeida, do MTE. Na ação, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel formado por agentes de diferentes órgãos, incluindo da Polícia Rodoviária Federal, apreendeu 11 armas, que, segundo os trabalhadores e os proprietários, eram utilizadas para caça. As atividades relacionadas a produção florestal são consideradas de risco 3 a 4, em uma escala de 1 a 4, conforme a Norma Regulamentadora Nº 4, do Ministério do Trabalho e Emprego

Entre os resgatados, havia uma mulher grávida, isolada assim como os demais dentro da mata. “Os trabalhadores viviam em barracos de lona sem nenhuma infraestrutura. Havia famílias e crianças. A água que eles consumiam era de igarapés, alguns com água parada. Era uma água suja, escura e a única que eles tinham para consumir. As pessoas tomavam banhos com tigelas. Todos viviam em uma condição muito limitada”, conta a auditora. 

Ronaldo nega que a água consumida pelo grupo era suja. “São águas de igarapés que nascem na mata. A minha família chama de água mineral, todos nós bebemos essa água. Acho até que melhor do que a de outras fontes de água mineral do estado”, afirma o fazendeiro.

Responsabilidade
A extração de madeira acontecia em sete frentes localizadas na propriedade conhecida como Fazenda São Gabriel, um conjunto de três fazendas administradas por Hortêncio Pinhoto Costa, pai de Ronaldo, o proprietário. Os trabalhadores resgatados viviam em barracos de lona, alguns distantes a mais de 10 km dentro da mata. Os mourões fabricados eram levados até a sede e vendidos pelos proprietários, que ficavam com 30% do valor e repassavam 70% aos responsáveis por cada frente, de acordo com Ronaldo. Ele defende que, por ter arrendado a exploração, não tem responsabilidade pelas condições encontradas.

“Ele tem, sim, responsabilidade. Os trabalhadores estavam na propriedade dele, recebiam ordens deles sobre onde cortar e até a venda era coordenada pela família, que não fornecia nem transporte e nem alimentação. Os trabalhadores compravam de uma cantina da fazenda, onde havia também fumo e ferramentas de trabalho. Muitos ficavam devendo, o que caracteriza servidão por dívida”, explica a auditora Inês.

Além de submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, o trabalho escravo contemporâneo pode, de acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, ser caracterizado pela submissão a condições degradantes, restrição da locomoção dos trabalhadores ou a servidão por dívida. A pena, que vai de dois a oito anos de prisão em caso de condenação, deve ser aumentada pela metade se o crime for cometido contra crianças ou adolescentes.
Foram lavrados 24 atos de infração pela fiscalização em função de irregularidades encontradas.

Vulnerabilidade social
Ronaldo, o dono da fazenda, diz que falar em trabalho escravo no local é uma alegação “grotesca” e ressalta a pobreza da região ao ser questionado sobre as condições em que os empregados foram encontrados. “Os trabalhadores estavam recebendo. E agora? Antes, moravam em barracos, poderia até não ter um banheiro de alvenaria, mas eles tinham algo. Agora não vão ter onde morar. E nem o que comer”, ressalta o fazendeiro, que vive com a família em um dos condomínios de luxo mais caros da capital Belém (PA).

Os resgatados receberam R$ 168,9 mil em verbas rescisórias. “Muitos dos que estavam lá eram visitantes que acabaram se aproveitando. São oportunistas como os garotos, que estavam só visitando ou vivendo com a família e não trabalhavam. Em três meses, quando o dinheiro acabar, estarão todos desempregados e em condições piores ainda”, ataca o fazendeiro. Justamente para evitar que a situação de vulnerabilidade social possa acarretar em reincidência de trabalho escravo, as autoridades têm discutido programas de inserção de libertados e também medidas para minimizar a desigualdade em regiões onde o problema é crônico.

Entre as medidas que podem resultar em um avanço significativo neste sentido está a Proposta de Emenda Constitucional 438, a PEC do Trabalho Escravo, que prevê que as terras em que for flagrado trabalho escravo sejam expropriadas e destinadas a reforma agrária. Por enquanto, os trabalhadores resgatados seguem vulneráveis, sujeitos a serem cooptados em esquemas de superexploração. “Eles saem de uma situação, mas ficam em outra”, admite Inês, que defende programas de treinamento e capacitação para ajudar os resgatados. “Eu perguntei para um dos meninos o que ele gostaria de fazer quando crescesse. Achei que ele iria falar em algum trabalho mais leve, melhor. Ele disse que quer trabalhar na roça da juquira”, completa a auditora, se referindo à atividade de desmate para abertura de pastos, onde é bastante comum o uso de mão de obra escrava.

Fonte: Repórter Brasil e Pró-Menino

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil realiza Encontro


Isa de Oliveira, coordenadora do FNPETI
Ocorre, em Brasília, o encontro do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. Vários representantes da sociedade civil e do governo participam da reunião: Central Única dos Trabalhadores, Itaú Social, Fundação Telefônica, Organização Internacional do Trabalho, Fundação Abrinq, Promotores do Ministério do Trabalho e o próprio Fórum, coordenado por Isa de Oliveira.

O evento conta também com a participação da Secretária Adjunta do Ministério do Desenvolvimento Social, Valéria Gonelli. Segundo a Secretária, é importante pensar novas estratégias de atuação e envolver outras esferas do Governo, já que as causas do trabalho infantil são multifocais.  “Precisamos também contar com o apoio dos promotores locais e com os conselheiros tutelares. Precisaríamos olhar os mecanismos de defesa para essa questão também”.

Com relação à III Conferência Mundial, a idéia é trabalhar a estruturação do encontro a partir de uma comissão organizadora nacional e uma comissão organizadora internacional (que deverá  contar com a OIT e o Ministério das Relações Exteriores) para a preparação e escolha dos temas, definição de estrutura do evento e para realizar consultas nacionais. A comissão nacional seria composta por Secretarias, CONANDA, Ministérios, Fórum, CONAETI, OIT e outros atores. Uma primeira reunião de articulação seria realizada após o carnaval.

Fonte: Portal Pró-Menino