terça-feira, 17 de julho de 2012

Diga não à violência nas Unidades da Funase


Diga não à violência nas Unidades da Funase


Os adolescentes e jovens do Estado de Pernambuco continuam sendo mortos, torturados, agredidos e tendo diversos outros direitos violados.

No último dia 10/01/2012, no Centro de Atendimento Socioeducativo do Cabo de Santo Agostinho, três jovens foram brutalmente espancados, torturados, queimados e um deles decaptado, no interior daquela Unidade de Internação, durante rebelião. Mais recentemente, no dia 28/05/12, uma rebelião ocorreu no Centro de Atendimento Socioeducativo de Abreu e Lima, resultando na morte de um adolescente.

Frente a essa situação, lutamos para que o Estado de Pernambuco tome providências urgentes para modificar essa realidade, cumprindo as medidas estabelecidas no Plano Estadual de Reordenamento do Sistema Sócio-Educativo.

Convocamos toda a sociedade para a efetivação dos direitos infanto-juvenis, em cumprimento ao que prevê nossa Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, assumindo tanto suas famílias, como a sociedade e o Estado seu dever de garantir o respeito à vida com dignidade de cada um desses sujeitos de direito.

Participe da 6ª VIGÍLIA organizada pelo Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA/PE), em defesa dos direitos dos adolescentes e jovens que cumprem medidas sócioeducativas no Estado de Pernambuco, no próximo dia de 19 de julho, às 15 horas no Pátio do Carmo, no centro do Recife.

Denúncias de violações dos direitos de crianças e adolescentes chegarão em tempo real ao Ministério Público

As denúncias de violações dos direitos de crianças e adolescentes feitas por meio do Disque 100 serão transmitidas em tempo real ao Ministério Público dos estados e da União. O acordo foi assinado durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente entre a Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público (CNPG).

As denúncias serão enviadas em tempo real para a Coordenação-Geral de Direitos Humanos do CNPG, que encaminhará as informações às promotorias em cada estado do país.“O Ministério Público vai apoiar o governo federal nas investigações e em todas as medidas necessárias para proteger a criança e responsabilizar o agressor. Queremos que o Disque 100 tenha efeitos concretos”, disse a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. O presidente do CNPG, Cláudio Soares Lopes, considera que a parceria vai agilizar o processo das denúncias. “Nesses casos a rapidez da informação é fundamental para proteção das crianças e dos adolescentes, especialmente nos casos de crimes sexuais”.

De acordo com dados do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, apenas nos primeiros quatro meses do ano, o módulo Criança e Adolescente teve 34.142 denúncias. Oito em cada dez vítimas são meninas. De janeiro a março deste ano, foram registradas 4.205 denúncias de violência sexual - dessas, 2.165 referem-se a crianças e adolescentes.

Por: Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil

Fonte: RETS

Guia de prevenção da violência letal contra adolescentes e jovens

O UNICEF, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Observatório de Favelas lançaram na noite de 12/7 o Guia Municipal de Prevenção da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens. O Guia é parte do Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens (PVRL) e tem o objetivo de proporcionar uma metodologia que oriente os gestores dos municípios brasileiros na elaboração de políticas públicas voltadas para a redução da violência letal contra adolescentes e jovens. Nele são apresentados os passos necessários para a elaboração de um diagnóstico local, a formulação de uma política de prevenção de forma participativa e o monitoramento e avaliação da política implementada.
As taxas de homicídio entre jovens e adolescentes no Brasil estão entre as mais altas na América Latina. Para a coordenadora do Programa de Proteção do UNICEF no Brasil, Casimira Benge: "esta é uma contribuição importantíssima para os municípios enfrentarem esse desafio". Ela destacou que as mortes entre essa população têm cor, sexo e território. Os dados oficiais demonstram que os adolescentes e jovens do sexo masculino e negros são as maiores vitimas de homicídio no Brasil. "Cada criança e cada adolescente têm o direito de crescer sem violência. É dever do Estado, da sociedade e da família garantir isso", concluiu Casimira.

O papel dos municípios é fundamental para as políticas de redução da letalidade, tendo em vista que os homicídios possuem causas e motivações diversas e, portanto, necessitam de estratégias preventivas direcionadas às especificidades locais.

O Guia contextualiza o tema da violência letal contra adolescentes e jovens no Brasil e o papel desempenhado pelos municípios na elaboração de políticas públicas preventivas. Sua leitura e utilização por parte dos gestores locais fortalecerá a inclusão dessa temática na agenda municipal e as ações preventivas que poderão ser desenvolvidas no âmbito local.
O lançamento foi realizado na Cidade dos Direitos, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, onde ocorre a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - e contou com a participação de Casimira Benge, coordenadora do Programa de Proteção do UNICEF no Brasil; Raquel Willadino, do Observatório de Favelas; Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj); e Carmen Oliveira, Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.


Fonte: UNICEF e RETS

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fotos da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

A 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ocorreu de 11 a 14 de julho de 2012, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília, DF. 

Confira algumas fotos da Delegação de Pernambuco:






































































Fotos; Nivaldo Pereira

sábado, 14 de julho de 2012

Adolescentes da Comissão Organizadora da 9ª Conferência entregam carta em favor do PL contra castigos corporais

Adolescentes que integram a Comissão Organizadora da 9ª Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes, representantes dos 26 estados e Distrito Federal (G27), entregaram nesta quarta-feira (11), ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), uma carta em favor da aprovação do Projeto de Lei Nº 7.672 de 2010 que estabelece o direito de crianças e adolescentes a serem educados sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante.
A carta também foi integre ao relator do PL na comissão, deputado Alessandro Molon (PT-RJ). No documento os adolescestes pedem aos parlamentares celeridade na aprovação da proposta, que tem origem em um projeto de lei de autoria da Ministra Maria do Rosário, enquanto deputada federal. Abaixo a íntegra do documento:
NOTA PÚBLICA EM APOIO AO PL 7.672 DE 2010

Nós, adolescentes integrantes da Comissão Organizadora da 9ª Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes, representantes dos 26 estados e Distrito Federal, manifestamos nosso apoio ao Projeto de Lei Nº 7.672 de 2010 que estabelece o direito de crianças e adolescentes a serem educados sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante.

Entendemos que o presente projeto fortalece os dispostos nas convenções e protocolos internacionais dos direitos humanos de crianças e adolescentes, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como a Constituição Federal ao reafirmar que “nenhuma criança e adolescente será vitima de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais...” (Art. 227º da CF). Contudo, este projeto vai mais a fundo por ter um caráter educativo ao inserir e fortalecer campanhas relacionadas ao tema, além de dispor sobre formação continuada aos profissionais que atuam na área.

É necessário afirmar que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento, autores da sua própria história e não fantoches dos adultos. Todavia, é a faixa etária que ainda batem para “educar”.

Portanto, compreendemos que a educação é feita por meio do diálogo e respeito entre as pessoas, que a violência gera ainda mais conflito entre elas, prejudicando o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes, que acarreta em traumas, destroem sonhos e violam os direitos que buscamos efetivar e consolidar.

“Se o mundo é bom para as crianças, o mundo é bom pra todo mundo” Cidade dos Direitos 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

Brasília, 11 de julho de 2012
 
Fonte: SDH e Pró-Menino

Conferência: Ministra cita avanços e desafios para a garantia de direitos de crianças e adolescentes

Ao discursar na abertura da Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), mencionou os programas Brasil sem Miséria e Brasil Carinhoso como referência de políticas públicas voltadas à garantia dos direitos da infância no país. De acordo com a ministra, um dos principais desafios do governo federal é retirar crianças de 0 a 6 anos e suas famílias da extrema pobreza. A presidenta Dilma Rousseff, participa nesta quinta-feira (12), às 11hs, da palestra magna da conferência, que segue até sábado (14).
Outro desafio citado pela ministra é fazer com que as cerca de 36 mil crianças e adolescentes em situação de abrigo no País sejam acolhidas por suas famílias e recebam amparo do sistema garantidor de direitos. Segundo a ministra, a maioria dos abrigamentos “é motivado por situações de negligência, abandono, drogadição, violência sexual. O Sistema socioeducativo é viável e possível e estamos trabalhando para aprimora-los”, explica.
Ainda segundo a ministra, há um posicionamento claro do governo contra qualquer tentativa do setor conservador de aprovar a redução da maioridade penal. “Nós entendemos que como adultos, como sistema e como sociedade, nós falhamos com esses adolescentes e esta não é a melhor forma de alterar essa situação”, afirmou.

Conselhos tutelares – De acordo com a ministra uma das áreas em que o país mais avançou foi na implantação de conselhos tutelares. Atualmente, segundo Maria do Rosário, apenas 12 municípios brasileiros não possuem Conselhos. “Nossa intenção é projetar no Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente ações que qualifiquem os conselhos e os conselheiros. Queremos fortalecer os conselhos para garantirmos o direito à saúde, à creche e ao desenvolvimento integral, que o Estatuto da Criança e do Adolescente preconiza”, acrescenta.

A ministra falou do esforço do Ministério Público Federal em trabalhar de forma conjunta na defesa dos direitos das crianças e adolescentes. O procurador geral da República, Roberto Gurgel, destacou como prioridades a Convivência Familiar e Comunitária, o Enfrentamento à exploração sexual e o aperfeiçoamento do atendimento socioeducativo.

Panorama sobre crianças e adolescentes no Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE existe no Brasil uma população de 56 milhões de crianças e adolescentes, o que corresponde a 30% do total da população brasileira. Os dados foram apresentados pela presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - Conanda, Mirian Maria José dos Santos, que apresentou recortes sobre a situações de violações de Direitos Humanos contra crianças e adolescentes no país.

Segundo o BGE, no Brasil, um adolescente é assassinado por dia no país. “Isso corresponde a duas chacinas do Realengo por mês. Ainda temos estatísticas de que uma em cada quatro crianças é responsável pelo sustento do próprio lar. Outros 60 mil adolescentes cumprem medida socioeducativas 42.785 crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, vivem em união estável no Brasil. Temos que virar essa página”, destacou Mirian Maria José dos Santos.

Fonte: SDH e Pró-Menino

Governo Federal lança protocolo com diretrizes para garantia dos direitos da criança em situação de desastres

Documento define princípios e ações multissetoriais para a proteção da criança em situação de emergência e orienta sobre os mecanismos a serem acionados em nível local, estadual e nacional para implementá-los

Foi assinada nesta quarta-feira (11/7), durante a cerimônia de abertura da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a portaria interministerial que institui o Protocolo Nacional para Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Situação de Desastres, um compromisso inédito assumido por um país. O documento, que contou com o apoio do UNICEF no processo de elaboração, estabelece as diretrizes e responsabilidades do poder público, parceiros da sociedade civil, setor privado e agências de cooperação internacional nas etapas de prevenção, preparação, resposta e recuperação nos três níveis federativos. O objetivo é garantir e proteger os direitos das crianças e dos adolescentes no contexto das emergências.
O protocolo é parte do plano Brasil Protege suas Crianças e Adolescentes do governo federal. Sua construção baseou-se no Estatuto da Criança e do Adolescente e, também, em normativas e documentos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança e os Compromissos Centrais para as Crianças nas Ações Humanitárias do UNICEF – marco mundial de referência para as ações programáticas essenciais pela garantia dos direitos de crianças em situação de emergências. Todos esses documentos colocam a criança e o adolescente como prioridade absoluta em situação de emergências e de desastres ambientais.
“Entretanto, durante as emergências, meninas e meninos encontram-se mais expostos a situações que podem afetar permanentemente seu desenvolvimento físico e psicológico. O Brasil está dando um importante e inovador passo, não só por ser o primeiro país no mundo a fazer um documento dessa natureza – inspirado em padrões internacionais de proteção à criança na ação humanitária –, mas também por colocar os direitos humanos de crianças e adolescentes no centro da ação de preparação, resposta e recuperação das emergências”, explica o representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl.
Para a elaboração do documento, foi levada em conta a condição especial de desenvolvimento que representam a infância e a adolescência. Por isso, é essencial que crianças, adolescentes e mulheres grávidas recebam atenção diferenciada, garantindo que esses grupos estejam protegidos e saudáveis e que suas rotinas sejam afetadas o mínimo possível, promovendo o sentimento de retorno à normalidade.
Colocando em prática – Para criar uma estratégia de implementação do Protocolo Nacional para Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Situação de Desastres, o UNICEF, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Ministério da Integração Nacional assinarão um protocolo de intenções para a proteção de crianças e adolescentes em situação de emergência.
O evento de assinatura do documento está previsto para acontecer nesta quinta-feira (12/7), às 13h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, e contará com a presença do representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl, da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.
Entre as ações acordadas nesse protocolo, estão a atuação conjunta e coordenada para a proteção integral de crianças e adolescentes vulnerabilizados por desastres, emergência e calamidades; a capacitação de profissionais que atuam nessas situações; e a promoção da participação de crianças e adolescentes em ações e na busca de propostas para redução de risco e impacto relacionados à emergência assim como para a implementação do protocolo.
O UNICEF contribuirá com sua experiência de seis décadas de atuação nas maiores e mais complexas emergências em todo o mundo – como, por exemplo, o terremoto no Haiti, em 2010; o tsunami no sudeste asiático, em 2004; e a seca no Chifre da África, em 2011 –, promovendo e garantindo os direitos de crianças e adolescentes, bem como disseminando o documento em nível internacional, promovendo e incentivando trocas de experiências e cooperação horizontal no domínio da proteção da criança nos contextos de emergências.

Fonte: Unicef Brasil e Pró-Menino

22 anos de Estatuto da Criança e do Adolescente*

Por Propercio Rezende, educador e coordenador do Curso ECA na Escola

Todo ano, no dia 13 de julho, os ativistas dos direitos da criança e do adolescente comemoram o aniversário do ECA, promulgado em 1990. Os avanços atribuídos ao Estatuto são inegáveis e, por isso, as comemorações são sempre válidas. No entanto, elas devem servir também para que façamos uma reflexão: 22 anos de ECA é muito tempo?

A muralha da China levou 2 mil anos para ficar pronta. A Catedral de Notre Dame, na França, quase 200... Foi muito tempo? Não se considerarmos o tamanho das obras, a sua complexidade, as tecnologias de construção civil presentes na época. Em compensação, a demora de 85 anos (1910 a 1995) para a construção de um açude em Mombaça, no Ceará, é, com certeza, considerada absurda.

Os exemplos acima servem para reforçar a importância de analisarmos o contexto no qual o ECA se insere, sempre que fizermos qualquer avaliação sobre ele. Algumas pessoas justificam alterações na lei com a afirmação de que se não foi possível cumpri-la totalmente, mesmo 20 anos depois de sua publicação, deia culturalmente arraigada na sociedade em 20 anos. O voto feminino, por exemplo, levou 60 anos para ser aprovado no Brasil

Outros aspectos importantes dizem respeito aos recursos necessários para a garantia dos direitos previstos pelo ECA. A oferta de serviços públicos, ou mantidos pelas organizações não-governamentais, na maioria das cidades, não é suficiente. E isso, infelizmente, não se restringe aos atendimentos a crianças e adolescentes. Como garantir saúde plena, como previsto no Estatuto, se não há vagas em hospitais ou ambulatórios? Como garantir convivência familiar e comunitária sem programas de apoio familiar? Em outras palavras, a demora na efetivação dos direitos se relaciona mais com a realidade do que com as determinações da lei.

Ao contrário da relação comumente feita entre a idade do ECA e a idade das pessoas, afirmando que aos 12 anos ele chegou à adolescência, ou aos 21 atingiu a maioridade, por exemplo, devemos ter em mente que, para uma lei tão fortemente inovadora e importante, 22 anos poderiam se comparar ao início da primeira infância. A figura mais adequada é que, aos 22 anos, o ECA é um bebê que começa a dar os primeiros passos com autonomia, mas que, para efetivamente caminhar, ainda precisará de muito apoio.

* Texto originalmente publicado na Revista Viração, edição julho/2012

Fonte: Pró-Menino

ECA 22 anos

Incrível , passaram-se 22 anos da aprovação da Lei 8.069/90 , o Estatuto da
Criança e do Adolescente. E nem comemoramos , alguns sequer lembraram . Nos
jornais nenhuma notícia ; Nas nossas televisões sensacionalistas do meio dia, só
se falava do menino decapitado, da menina de 14 anos assassinada e do medo da
sexta feira treze.Lembrei-me que a lei traz como direito mor , à vida.
Mas a minha esperança estava em Brasília . No dia 12 de julho , às 11 horas da
manhã a Presidenta Dilma faria o seu discurso, Vibrei ! Pensei comigo mesmo e
disse a alguns amigos/as : - Acho que ele vai aproveitar o momento e afirmar a PL
3754/2012 que garante direitos aos/as conselheiros/as tutelares, na presença de
centenas deles/as. Ou quem sabe fazer uma exaltação do Estatuto . mostrando
o maior projeto de inclusão social já feito para a criança e o adolescente. Na
verdade Ela nem falou da PL e muito menos do Estatuto da Criança e do
Adolescente e sim falou de programas de governo ,
Foi como se uma “bolinha de papel” tivesse sido arremessada na minha cabeça e
ferido a tal ponto de precisar de uma tomografia.
Disseram a Presidenta que bastava apresentar um programa de governo( um bom programa) e seria o
suficiente . Para mim, ela precisava falar dos 22 anos do ECA , como também
dizer aos Conselheiros/as Tutelares: “ não tenham mais esperança , tenham
certeza que terão remuneração justa e direitos trabalhistas garantidos a partir de
hoje”
Mas são 22 anos de Estatuto e isso precisa ser comemorado . Precisamos falar
aos nossos amigos , estranhos a Lei, do Programa de Liberdade Assistida , da
redução da mortalidade infantil, da Escola José Tomás Francisco em Quixaba
com média 7.5 no último IDEB. De João Lucas , aluno desta escola, inúmeras
vezes medalha de ouro nas Olimpíadas de Matemática. E dos outros/as alunos/as
da cidade também premiados .
O que existe nesta cidade?
Vejam o resultado na 7ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
(Obmep), realizada em 2011:
1º Lugares – Ouro
Laura Santana – Escola de Aplicação Professora Ivonita Alves Guerra –
Garanhuns
Deyverson da Silva – Escola Estadual Manoel Bacelar – Riacho das Almas
João Lucas Gambarra – Escola Tomé Francisco da Silva –Quixaba
2º Lugares – Prata
Haissa Soares – Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Ariagildo Lins – Escola de Aplicação Professora Vande Souza Ferreira – Petrolina
Heloisa Gonçalves – Escola Edson Moury Fernandes – Jaboatão dos Guararapes
Marília Monteiro - Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Eder Marques – Colégio da Polícia Militar de Pernambuco –Recife
Carlos Pontes - Escola de Referência em Ensino Médio Ginásio Pernambucano –
Recife
Marcelo da Silva – Escola Professora Jandira de Andrade Lira– Limoeiro
Fábio Coutinho – Centro de Ensino Experimental de Timbaúba –Timbaúba
3º Lugares – Bronze
Alberto de Lima – Colégio da Polícia Militar de Pernambuco –Recife
Bennett Sabino - Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Gabriel Sales - Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Nilson Flávio B. Junior – Escola Ginásio de Limoeiro Arthur Correia de Oliveira –
Limoeiro
Raimundo Lopes – Escola da Independência – Araripina
Gabriela Chaves - Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Mairla Dias – Escola Tomé Francisco da Silva – Quixaba
Bruno Gomes – Escola Liceu de Artes e Ofícios – Recife
Caroline Costa – Escola de Referência em Ensino Médio ProfessorTrajano de
Mendonça – Recife
João Vieira – Escola Dantas Barreto – Paulista
Mariana Fonte – Escola Oliveira Lima – São José do Egito
Henrique Plácido - Escola Tomé Francisco da Silva – Quixaba
Cayo de Moraes - Escola do Recife FCAP-UPE – Recife
Bruno Felix – Escola Técnica Estadual Maria Eduarda Ramos de Barros – Carpina
Carlos da Silva – Centro de Ensino Experimental Professor Adauto Carvalho –
Serra Talhada
Guilherme Bezerra – Centro de Ensino Experimental de Salgueiro – Salgueiro
Aysllane Amorim – Escola de Aplicação Professor Chaves –Nazaré da Mata
Cícera Cordeiro – Centro de Ensino Experimental de Panelas –Panelas
Letônio da Silva – Escola de Referência em Ensino Médio Professor Francisco
Joaquim Barros Correia – Altinho
Felipe Evangelista - Colégio da Polícia Militar de Pernambuco – Recife
Não conheço nenhum deles, não estarão nos programas das nossas TVs do meio
dia , mas sinto orgulho de cada um deles , pois são frutos de uma lei de inclusão
social que completa 22 anos contando histórias .
Não quero cansá-los , pois as histórias não são isoladas , apenas temos costume
de não divulgarmos os sucessos .
Muitos amigos não participarão desta comemoração ; Nem Sílvia, nem Zé da
Silva , Nem Romero Andrade ,...e os cinco adolescentes assassinados dentro de
Unidades da FUNASE.

Feliz Aniversário para todas as nossas crianças e adolescentes!

13 de julho de 2012

Silvino Neto
Coordenador do Fórum DCA/PE

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Simpósio Mundial discute direitos das crianças no século XXI

Evento reunirá pesquisadores da área da Educação Infantil do Brasil e de diversos países

Acontece em Campo Grande – MS entre os dias 18 e 21 de julho, no Teatro Glauce Rocha, o 28° Simpósio Mundial da Organização Mundial para Educação Pré Escolar. Com o tema “Primeira Infância no Século XXI: Direito das Crianças de Viver, Brincar, Explorar e Conhecer o Mundo”, o evento reunirá representantes de vários países como Suécia, China, Estados Unidos, Nigéria e Coreia.
O encontro é uma oportunidade para que os profissionais do país possam absorver novas ideias e colocá-las em prática nas salas de aula. Segundo a presidente da OMEP/Brasil MS, Maria Aparecida Salmaze, centenas de pessoas se reunirão durante os dias do evento para debater e conhecer possibilidades para melhorar a infância das futuras gerações.
De acordo com a assessoria de imprensa da OMEP, foram inscritos 250 trabalhos que serão apresentados e debatidos durante o evento. Dentro do tema central, pesquisas se subdividem em vários eixos temáticos, que vão desde a formação do professor até a educação para a sustentabilidade.
“Com a promoção de ações de grande impacto, visando o comprometimento e entendimento da sociedade sobre as principais questões que envolvem os direitos das crianças e ampliação dos conhecimentos sobre a infância, contribuímos para uma realidade diferente aos nossos pequenos, e buscamos a valorização, o respeito e atenção às crianças”, explica Maria Aparecida Salmaze.

Mais informações sobre o evento pelo telefone (67) 3341 1013.

MEC publica regras de programa nacional para alfabetizar crianças até os 8 anos

O Ministério da Educação (MEC) publicou hoje (5) portaria no Diário Oficial da União estabelecendo as regras do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). O programa que será lançado em breve tem como objetivo garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. Redes municipais e estaduais terão que aderir ao programa para poder receber recursos e o apoio técnico do MEC.
Entre as ações previstas no programa estão a capacitação dos professores alfabetizadores, o pagamento de bolsas aos docentes e a distribuição de materiais didáticos específicos para alfabetização. Outra medida será a criação de uma prova que será aplicada a todos os alunos do 3º ano do ensino fundamental para medir o nível de alfabetização.
Até hoje o país não tinha um exame oficial para medir se as crianças estavam sendo alfabetizadas ou não na idade correta. Iniciativa semelhante já foi feita pelo Movimento Todos pela Educação que, em 2011, aplicou a primeira edição da Prova ABC.Em caráter amostral, o exame apontou que mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do ensino fundamental não tinham a capacidade de leitura esperada para esse nível de ensino.
As duas avaliações aplicadas atualmente pelo MEC aos alunos do ensino fundamental não aferiam essa informação. A Prova Brasil tem como público-alvo os alunos do 5º ano do ensino fundamental. Já a Provinha Brasil, aplicada no 2º ano, era uma ferramenta de uso interno das escolas para que cada professor pudesse acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Com o Pnaic, as escolas deverão informar ao MEC os resultados da Provinha a partir de um sistema que será desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Fonte: Agência Brasil e Pró-Menino

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Site da 9° Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente entra no ar

Entrou no ar nesta segunda-feira (02) o site da 9° Conferencia Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que começa na próxima semana em Brasilia. Na página da conferência os visitantes poderão acompanhar, em tempo real, as principais notícias das plenárias, acessar documentos, baixar arquivos e visualizar o cronograma de todas as atividades previstas para os quatro dias do evento. A conferência ocorre entre os dias 11 e 14 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
No portal os internautas já podem acessar notícias e fotos das etapas preparatórias que ocorreram em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Também estão disponíveis todos os relatórios finais de cada conferência estadual, entre outros documentos.
A barra superior do site contem informações sobre a programação da conferencia nacional, os documentos que sustentam as politicas para as crianças e adolescentes. A cobertura “Educomunicativa”, feita pelos jovens durante todas as etapas estaduais, também tem seu lugar no site.
A galeria de fotos localizada na base da pagina principal, conta com imagens de várias etapas estaduais, e suas apresentações culturais. As etapas estaduais foram de fundamental importância para a Conferência Nacional. Nelas foram escolhidos os delegados que virão à Brasília representar seus respectivos estados.
Cidade dos Direitos - O site conta também com um espaço para a Cidade dos
Direitos da Criança e do Adolescente - A Cidade dos Direitos é um espaço de integração e mobilização da sociedade, que se propõe a reproduzir de maneira interativa e não formal uma minicidade composta por instituições, programas, áreas de convivência e expressão democrática, equipamentos de promoção e defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes que integram o Sistema de Garantia de Direitos.
O link para o site da 9° conferencia Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - http://9cndca.sdh.gov.br/index.asp

Fonte: SDH e Pró-Menino

Conselheiros tutelares terão salário e benefícios trabalhistas

Em votação simbólica na tarde desta quarta-feira (4), os senadores aprovaram em Plenário o substitutivo da Câmara ao PLS 278/2009, que trata dos conselhos tutelares, garantindo remuneração e direitos trabalhistas básicos aos conselheiros de todos os municípios brasileiros e do Distrito Federal.
A matéria original, da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), recebeu parecer favorável do relator Gim Argello (PTB-DF) e apoio de quase a totalidade dos senadores. A matéria segue para sanção presidencial. A votação foi acompanhada por vários representantes da categoria, presentes nas galerias do Plenário.
Como os demais trabalhadores, os membros dos conselhos tutelares terão direito a salário, férias anuais remuneradas com adicional de um terço, gratificação natalina (13º salário), licenças maternidade e paternidade e cobertura previdenciária. A lei orçamentária municipal ou distrital deverá prever os recursos para o pagamento da remuneração e para a formação continuada dos conselheiros.
Os conselhos tutelares são os órgãos responsáveis por zelar pelo respeito aos direitos dos menores de idade, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Atualmente, segundo o ECA, cada cidade precisa ter ao menos um conselho tutelar com cinco membros, escolhidos pela sociedade para mandatos de três anos. O ECA diz que cada prefeitura tem liberdade para decidir se seus conselheiros terão ou não salário.
Mudanças
Após ajustes feitos pelo relator Gim Argello, o projeto aprovado amplia o mandato dos conselheiros para quatro anos, com direito a recondução (mediante novo processo de escolha), além de vincular o conselho à administração pública local.
Gim Argello introduziu outras duas mudanças. Em primeiro lugar, admitiu a instalação de mais de um conselho tutelar no Distrito Federal e nos municípios divididos em microrregiões ou regiões administrativas. Depois, eliminou a garantia de prisão especial para o conselheiro tutelar que tiver cometido crime comum — medida classificada pelo relator de discriminatória e inconstitucional.
Ainda de acordo com o substitutivo aprovado, a escolha dos membros do conselho tutelar ocorrerá - em todo o território nacional - sempre no primeiro domingo do mês de outubro do ano seguinte ao da eleição presidencial. A posse dos eleitos ocorrerá no dia 10 de janeiro do ano posterior ao processo de escolha.
Para Lúcia Vânia, a regulamentação da atuação do conselho tutelar e dos conselheiros será fundamental para a proteção de crianças e adolescentes.
Despesa para municípios
A importância das alterações promovidas pela proposta no ECA (Lei 8.069/1990) foi elogiada pela ampla maioria dos senadores. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), porém, disse que, ao tornar obrigatórios a remuneração e os direitos trabalhistas desses profissionais, o Congresso estaria aumentando de maneira indevida as despesas dos municípios brasileiros. Para ele, regulamentar os conselhos tutelares seria competência dos próprios municípios e não do Parlamento.
Mesmo com a observação de Aloysio Nunes, a matéria recebeu apoio quase unânime dos senadores, entre eles Alvaro Dias (PSDB-PR), Eduardo Braga (PMDB-AM), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Walter Pinheiro (PT-BA), Paulo Paim (PT-RS) e Jayme Campos (DEM-MT). Além de Benedito de Lira (PP-AL), Eduardo Lopes (PRB-RJ), Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Ana Amélia (PP-RS), Lídice da Mata (PSB-BA) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Todos elogiaram a iniciativa da autora Lúcia Vânia, a qualidade do relatório de Gim Argello e a capacidade de negociação de ambos com o Poder Executivo.
Alvaro Dias destacou que o projeto valoriza “profissionais dedicados” ao regulamentar o reconhecimento jurídico dos conselheiros tutelares.
– Não podemos deixar de amparar os conselheiros tutelares. Os prefeitos vão entender a valorização dessa nobre tarefa – argumentou Alvaro.
O líder do governo, Eduardo Braga, ressaltou a dedicação dos conselheiros na proteção de crianças e adolescentes de todo o país e disse que o projeto assegura direitos adquiridos e amplia a proteção à categoria.
Rollemberg reafirmou que os conselheiros fazem jus a melhores condições de trabalho e remuneração justa e adequada “para função tão importante”.
Na justificação da matéria original, Lúcia Vânia afirma que o aumento do mandato dos conselheiros é necessário para que esses profissionais tenham mais tempo para implementar as políticas em prol dos menores. Já a remuneração e os direitos trabalhistas, argumenta a senadora, darão mais estabilidade à categoria, ampliando e facilitando o acesso de crianças e adolescentes a seus direitos constitucionais.

Fonte: Agência Senado e Pró-Menino

9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente: metodologia participativa e cobertura educomunicativa são inovações em 2012

A 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente acontece de 11 a 14 de julho de 2012, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília (DF). A Conferência debaterá a Política Nacional e o Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente que passou por consulta pública ano passado e está em fase de finalização. A Conferência está sendo construída sob 5 eixos estratégicos: 1) Promoção dos Direitos de Crianças e Adolescentes; 2) Proteção e Defesa dos Direitos, 3) Protagonismo e Participação de Crianças e Adolescentes, 4) Controle Social da Efetivação dos Direitos, 5) Gestão da Política Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNPDCA), após a 8ª Confêrencia Nacional, em 2011, criaram um grupo intersetorial formado por 13 Ministérios e quatro conselheiros da sociedade civil. A partir das 68 diretrizes aprovadas, elaborou os princípios, as diretrizes e os objetivos estratégicos do Plano Decenal. Todo o processo de conferências 2011-2012, que se iniciou com as municipais, está sendo pautado pela discussão dessa elaboração tendo em vista três focos principais: sua mobilização, implementação e monitoramento.

A 9a CNDCA é promovida pelo Conanda, órgão paritário criado em 1991, que, por meio da gestão compartilhada, governo e sociedade civil definem, no âmbito do Conselho, as diretrizes para a Política Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes. Além disso, fiscaliza as ações executadas pelo poder público no que diz respeito ao atendimento da população infanto-juvenil.

Protagonismo e educomunicação

A inovação da metodologia deste ano está na participação das(os) adolescentes em todas as etapas da Conferência: organização da Nacional, estaduais e municipais. A expectativa da Comissão Organizadora é receber cerca de 800 adolescentes em julho de um total de 3 mil participantes. As etapas municipais, livres, territoriais e regionais aconteceram de agosto a novembro, enquanto que as estaduais serão de fevereiro a maio de 2012.

Além disso, numa construção inovadora entre CONANDA e Estados, a cobertura educomunicativa será realizada nas Conferências Estaduais DCA e na etapa nacional. Cerca de 18 integrantes de cada Estado receberão a oficina de planejamento e das linguagens texto, áudio, vídeo e fotografia que serão apresentadas nos formatos de jornal mural, tv de bolso, fanzine, programetes de rádio, exposição e site/blog. 54 adolescentes serão selecionados para a 9ª Conferência e o número de envolvidos pode chegar a quase 500 em todo o país.

A cobertura educomunicativa, além de utilizar técnicas do jornalismo, é principalmente uma reflexão sócio-educativa de formação e mobilização de crianças e adolescentes – para, pelo e com eles – que passa pelas discussões sobre democracia, direitos sociais do cidadão, educação para a paz e de solidariedade entre os povos. Ou seja, constrói uma comunicação fundamentada entre princípios e valores humanistas. Esta é o que podemos chamar de “essência” da Educomunicação cujo referencial teórico-metodológico está centrada em Paulo Freire. A prática tem como maior preocupação o processo de discussão na feitura dos produtos e, para tanto, que os procedimentos sejam executados de forma colaborativa. Nesse sentido, as crianças e os adolescentes serão protagonistas da cobertura e apresentarão ao mundo suas opiniões sobre os temas abordados nas conferências. Aprenderão a fazer o planejamento de uma cobertura, a levantar dados para suas produções, a debater suas opiniões, a perceber a importância dos momentos de escuta, a se comunicar com as pessoas, principalmente as que não estarão nos eventos, pensando em como mobilizá-las.

A possibilidade de trabalhar com a Educomunicação abre espaço para a criação e fortalecimento de vínculos entre eles, não apenas no momento da cobertura, mas na escola e na comunidade. Cria, divulga e fortalece o direito à comunicação que também dá acesso a todos os demais. Vai além da já reconhecida liberdade de expressão: é também o direito de todas as pessoas de ter acesso aos meios de produção e difusão da informação, de ter condições técnicas e materiais para produzir e veicular essas produções e de ter o conhecimento necessário para que sua relação com esses meios ocorra de maneira autônoma.

Crack: por uma política mais humana

crackHoje em dia, quando se fala em drogas no Brasil, uma onomatopeia nos vem à cabeça: crack. Poderia ser crack!, com um ponto de exclamação. Tudo para dar o toque de urgência que acompanha qualquer discussão, pública ou não, sobre o tema. Pela frequência com que esse psicoativo aparece nas manchetes de jornais, matérias televisivas e debates acalorados entre membros do governo e profissionais de variadas formações, era de se esperar que o conhecimento sobre esse derivado da cocaína fosse mais difundido. Ledo engano: o desconhecimento é generalizado. Por Pedro Vicente Bittencourt*.
Como surgiu o crack? De onde vem? Como funciona no organismo? Por que, de uma hora para outra, se alastrou com tanta velocidade pelo Brasil, inclusive em cidades do interior? E, a pergunta de um milhão de reais: como fazer para que a droga deixe de cobrar o alto preço em vidas, atualmente a sua marca trágica?
Se todas essas respostas estivessem dando sopa por aí, provavelmente sequer estaríamos falando do assunto. Já que aqui estamos, vamos ver até onde chegamos com essas perguntas. Afinal, o método socrático sempre trouxe bons resultados na produção de conhecimento.

Perguntas e respostas
Uma das consequências não intencionais (embora óbvia) da guerra às drogas e, especificamente, da criminalização delas é que toda e qualquer atividade que as envolve ocorrerá ao resguardo dos olhares públicos. Ninguém vai arriscar pagar as duras penas que a lei impõe por “trazer consigo” essas substâncias. Assim, fica difícil conhecer a história das drogas ilegais, incluído aí o crack.
É certo que ocorreram nos Estados Unidos os primeiros registros da nova droga. O nome crack é uma referência ao som das pedras estalando ao queimarem em cachimbos. Uma onomatopeia. O relato mais sensato e verossímil é que, durante os anos 1980, a política de interdição aos entorpecentes nos EUA teve como resultado o aumento do preço da cocaína nas ruas. Buscava-se, mediante a escassez da oferta, tornar o preço dos psicoativos ilícitos alto demais e, assim, diminuir seu consumo. Resultado: o sempre ágil mercado do ilícito teve de recorrer à criatividade para manter nas ruas um produto “bom” e barato. Com as tradicionais armas do capitalismo e do mercado, o crack se tornou um rotundo sucesso. Para desespero da sociedade.
A cocaína chama-se, em termos técnicos, cloridrato de cocaína, um alcaloide, um sal, que requer para a sua produção uma variedade de outras substâncias químicas, algumas caras e raras, portanto relativamente fáceis de controlar, e outras tão simples e baratas quanto a gasolina, cal e solventes. Com esses produtos, extrai-se da inofensiva folha da coca o princípio ativo psicotrópico. O custo de tal produção é alto, não apenas pelo preço dos insumos necessários ao processamento, mas também porque muitos deles são inflamáveis, o que amiúde provoca acidentes e prejuízos. Em vez de seguir toda a cadeia de reações até chegar ao cloridrato de cocaína, porque não parar no meio do caminho, quando já houver uma boa concentração do principio ativo da droga?
O crack é justamente o resultado dessa filosofia de mercado: um produto mais barato, que pode ser produzido em cozinhas domésticas, a partir da pasta base, que nada mais é do que o entorpecente ainda em estado bruto e mais propício para o transporte em grandes quantidades. Qual a diferença mais importante entre o crack e a cocaína? Em vez de ser aspirado, o crack é fumado. Isso causa uma diferença essencial na forma com que a droga age em nosso organismo.
Aspirada, a cocaína percorre o nosso corpo de maneira difusa. Apenas parte da substância vai para o cérebro, onde começa a fazer efeito. Na prática, isso significa que o efeito da droga leva mais tempo para começar, demora mais para terminar e é mais ameno. Se a mesma dose do princípio ativo for consumida na forma de crack, o percurso no organismo será outro. Ao ser fumada, a droga entra pelo pulmão, um órgão muito vascularizado e com grande superfície de contato. De uma só vez, uma quantidade enorme entra na corrente sanguínea. Do pulmão, a substância será bombeada diretamente para o cérebro. O efeito começará mais rapidamente, durará menos tempo e será mais intenso. Por isso que acredita-se que o crack é tão viciante.
Essas informações ajudam a compreender um pouco melhor o crack. Contudo, não é a existência em si da droga que causa danos, mas o seu uso. Mais especificamente, o seu uso e as suas consequências. A diferença não é trivial, porque define, em última instância, a forma de lidar com o problema.

Políticas para o crack
Desde 2010, o governo federal divisou dois projetos voltados para lidar com as drogas em geral e com o crack, em particular. Encomendou-se à Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, um mapeamento das “cenas de uso de crack”. Especificamente no município do Rio de Janeiro, o secretário de Assistência Social, depois de ocupar a Secretaria de Ordem Pública e lá desenvolver as operações Choque de Ordem, parece ter importado de uma pasta para a outra a mesma filosofia de ataque aos problemas.
Eis que agora a população carioca convive com o novo termo “acolhimento compulsório”. Custa-nos compreendê-lo, pois nunca foi devidamente esclarecido. Note- se que o acolhimento compulsório refere-se apenas aos casos com menores de idade, pois, afirmam as autoridades, pode-se inferir que, já que esses meninos e meninas estão nas ruas fumando crack, a família não cuida deles. No caso de maiores de idade, é mais difícil restringir o direito constitucional de ir e vir de uma pessoa em pleno gozo dos seus direitos civis.
No dia 11 de abril de 2012, o jornal O Globo publicou uma grande matéria sobre o crack. O jornal pediu à Secretaria Municipal de Assistência Social que fizesse um “mapeamento informal” do problema. A expressão incomoda. Informalmente, o jornal informa haver cerca de 3.000 usuários e usuárias circulando pelas chamadas “cracolândias”, dos quais 20% seriam menores de idade. A objetividade desses dados é altamente questionável, mas vamos lá.
Segundo o jornal, seria o caso dizer que, no município do Rio de Janeiro, 20% das pessoas que usam crack poderiam ser incluídas na política de acolhimento compulsório. Uma vez “acolhidos”, os menores seriam encaminhados a abrigos e centros de tratamento. À primeira vista, pode parecer uma solução interessante, mas será mesmo assim? O objetivo da política é resolver o problema do uso abusivo de uma substância psicoativa, ou apenas retirar das ruas quem traz consigo chagas da miséria, das quais o consumo de crack é apenas mais uma?
Se o objetivo for o primeiro, e esperemos que assim seja, parece boa ideia compreender as causas que levaram cidadãos e cidadãs brasileiros a dedicar parcela tão significativa de suas energias para alimentar a adição. Terá o consumo do crack competido com quais outras alternativas de engajamento social? Houve escolha possível entre esporte, cultura, educação, família acolhedora, de um lado, e o crack e o mercado ilícito, de outro?
A rigor, faltam ainda estudos para poder ser taxativo ao responder as perguntas acima. Há, contudo, alguns indícios do que anda ocorrendo. Em dezembro de 2009, a Secretaria Municipal de Assistência Social inaugurou um programa piloto chamado Embaixada da Liberdade, em Manguinhos. Tratava-se de um espaço de acolhimento de jovens de até 17 anos e 11 meses, no qual, se ofereciam dormitórios, alimentação e atividades lúdicas e culturais, para atrair a população mais vulnerável ao crack. Em parceria com os serviços locais de saúde, acompanhava-se o tratamento dos usuários e o reingresso na escola ou no trabalho. A casa vivia cheia, beirando o limite de sua capacidade. Desde o final de 2010, a Embaixada não funciona mais.

Imbróglio
Hoje, se observa na política da cidade do Rio de Janeiro com relação às drogas duas tendências. Em primeiro lugar, o impulso às já famosas UPPs. Em segundo lugar, as rondas da Secretaria Municipal de Assistência Social, que gerencia o tal acolhimento compulsório.
Sobre o primeiro caso, pragmaticamente, nos resta pressionar o governo e torcer pelo melhor. Essa política não deve ser revertida. Ela traz valorização dos imóveis no entorno das UPPs, contribui para a imagem de um Rio de Janeiro calmo e pacífico, além de ter reduzido, de fato, os índices de criminalidade violenta nas comunidades pacificadas. Isso não quer dizer que a Polícia Militar do Rio esteja isenta de críticas ou que o governo do Estado não deva ser impelido a levar a cidadania plena às áreas antes dominadas pelas armas do tráfico e pelo tráfico de armas. Críticas à ausência das secretarias de Esporte e Lazer, de projetos de educação e capacitação profissional e de maior articulação com a sociedade civil são pertinentes e necessárias. Devemos consertar o que já foi feito. Trocar o pneu com o carro em movimento.
Já no que se refere à atenção ao crack e, mais especificamente, a quem o consome, é preciso, sim, questionar o que os governos federal, estaduais e as prefeituras estão pensando para a solução desse imbróglio. Talvez seja uma boa ideia buscar o que tem sido feito em outras cidades mundo afora. Se tivermos de passar por experiências mal-sucedidas, uma por uma, até encontrar aquela que satisfaça as demandas de uma sociedade democrática, alguém vai pagar um alto preço por isso. E não serão os políticos.

Outros países
Portugal descriminalizou todas as drogas em 2001. Já há dados que corroboram a tese de que a mudança de foco para uma abordagem concentrada na saúde foi um sucesso estrondoso, desde a redução do consumo, inclusive entre jovens, até o desafogamento do Judiciário e do sistema carcerário. Experiências mais ousadas, como a implementação de salas de consumo seguro na Suíça e no Canadá, são exemplos promissores, embora não tenham, ainda, o escopo necessário para impactar as estatísticas dos seus países.
Apesar desses exemplos, os indícios no Brasil não são encorajadores. Na esfera federal, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) foi transferida do Gabinete de Segurança Institucional, comandado por militares, para o Ministério da Justiça. É um passo na direção certa, embora ainda não suficiente para quem compreende o tema como multidisciplinar, portanto, mais apropriado para as pastas de Saúde e Desenvolvimento Social.
A demissão relâmpago de Pedro Abramovay, em janeiro de 2011, do governo federal, justamente quando ia liderar a Senad, depois de entrevista na qual sinalizou um caminho mais progressista para a política nacional de drogas, foi um gesto contraditório. Houve progresso, pero no mucho…

E as outras drogas?
Por fim, uma última questão é importante para nos aproximarmos de um sistema que dê atenção aos usuários e usuárias de drogas de forma mais humana e eficaz. Será mesmo que o crack deve ser o foco dos esforços do governo, centro da política pública no trato com as drogas? Ou será ele apenas mais uma das substâncias sobre as quais se deve trabalhar? Segundo dados do Sistema Único de Saúde, o SUS, o álcool é a droga que mais danos causa a nossa saúde. Proibi-lo não faz sentido ou não teria resultado, mas por que não se concebe um plano nacional para a consciência sobre o álcool?
Fazendo uma análise fria dos dados, a atenção quase exclusiva dedicada ao crack definitivamente não se justifica. O sistema de saúde precisa, sim, preparar-se melhor para acolher quem usa drogas. O problema não será resolvido por completo sem mudanças na legislação vigente e, principalmente, sem outro paradigma de políticas públicas para lidar com o problema. Esse deve ser o foco principal dos futuros debates.