segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fórum DCA/PE elege nova Coordenação

O Fórum DCA/PE (Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco) na Reunião Ordinária desta segunda (12) elegeu a nova Coordenação Colegiada para o Biênio 2012/2014. A Eleição foi realizada na Sala de pleno do CEDCA/PE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente) no Recife. 20 instituições estavam aptas a votar, de acordo com os critérios estabelecidos, entre eles a participação em 75% das atividades do Fórum no ano de 2012.
Das 20 instituições aptas a votar 14 compareceram:CEO - Cidade Evangélica dos Órfãos, CEDES - Centro de Estudos e Desenvolvimento Social, Casa de Passagem Ana Vasconcelos, KNH Nordeste, PLAN Internacional, Fórum Sócio-Educativo, COMVIVA, CENDHEC, Centro de Atendimento Lar do Bem te Vi, Associação dos Moradores do Porto da Madeira, Centro Joaquim Vicente Ferreira, Grupo Mulher Maravilha, Casa Menina Mulher e Pastoral do Menor (Nordeste II).
As entidades candidatas e suas respectivas votações foram: CJVF (Centro Joaquim Vicente Ferreira), de Limoeiro (14), COMVIVA (Centro de Educação Popular Comunidade Viva), Caruaru (10 votos), Fórum Sócio-Educativo (10 votos) e Casa Menina Mulher, Recife (08 votos), ficando esta última na suplência da Coordenação. A posse da nova Coordenação será em dezembro.
Na ocasião foi feita avaliação da 8ª Vigília "Diga Não à violência no sistema sócio-educativo de Pernambuco", e o planejamento e organização da próxima, que será realizada no dia 20/11/2012, a partir das 15:00 horas, no Pátio da Basílica do Carmo, no centro do Recife.


sábado, 10 de novembro de 2012

Pré-Candidatos (as) ao Conselho Tutelar participarão de curso em Ipojuca

48 pré-candidatos (as) aos Conselhos Tutelares de Porto de Galinhas e Serrambi, localizados no litoral de Ipojuca, participarão de curso de habilitação promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Os participantes receberão orientações sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, Política de Atendimento, Sistema de Garantia de Direitos e sobre o conceito e atribuições do Conselho Tutelar.
O referido curso será realizado nos dias 13 e 14/11, na Pousada Casarão das Neves, em Porto de Galinhas, e terá como monitores: Silvino Neto, Nivaldo Pereira e Edmilson Ribeiro, especialistas em políticas públicas para a infancia e adolescência. Confira abaixo a programação:

Programação

1º Dia – 13/11/2012

08:00 – Abertura – Dr. José Augusto do Nascimento – Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
08:30 – Estatuto da Criança e do Adolescente (Disposições Preliminares e Direitos Fundamentais) – Silvino Neto
10:00 – Intervalo
10:15 – Política de Atendimento, Entidades de Atendimento, Fiscalização de Entidades – Silvino Neto
12:00 – Almoço
14:00 – Medidas de Proteção – Nivaldo Pereira
15:30 – Intervalo
15:45 – Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável – Nivaldo Pereira
17:00 – Encerramento
2º Dia – 14/11/2012
08:00 – Conselho Tutelar: Conceito e Atribuições – Nivaldo Pereira
10:15 – Intervalo
10:30 – Relações Interpessoais – Dr. Edmilson Ribeiro
12:00 – Almoço
14:00 – Ato Infracional e Medidas Sócio-Educativas – Nivaldo Pereira
15:15 – Intervalo
15:30 – Revisão, Orientações para Prova Objetiva e Redação – José Carlos Ferreira
17:00 - Encerramento

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ELEIÇÃO PARA COORDENAÇÃO DO FÓRUM DCA/PE

A Comissão Eleitoral definiu as Instituições aptas e não aptas a participar da Eleição da Coordenação do Fórum DCA/PE para o Biênio 2012-2014:
 
Entidades aptas:
 
- Plan International Brasil
- Centro de Educação Comunidade Viva
- Pastoral do Menor (Nordeste 2)
- Associação Comunitária Inajá Mendes
- Associação dos Produtores e Moradores de Chã de Sapé
- Associação de Desenvolvimento e Assistência Social de Itaquitinga
- Centro de Atendimento Lar do Bem-Te-Vi
- Centro Joaquim Vicente Ferreira
- Associação dos Moradores do Porto da Madeira
- Associação Comunitária de Sapucaia e Aguazinha
- Centro de Estudos e Desenvolvimento Social (CEDES)
- KNH Brasil Nordeste
- Casa Menina Mulher
- Fórum Socioeducativo Estadual
- Cidade Evangélica dos Órfãos
- O Pequeno Nazareno
- Casa de Pasagem
 
As entidades que se inscreveram, mas que não estao aptas a participar deste processo eleitoral, considerando o critério de frequência nas atividades do Fórum DCA e a retirada de seus nomes do referido processo, são as seguintes:
 
- Grupo AdoleScER
- Organização de Auxílio Fraterno (OAF)
- Instituto Nossa Senhora de Lourdes - Salesianas (Gravatá)
- CESC Coqueiral
- Associação Pró-Criança e Adolescente de Taboquinha (a instituição enviou à Comissão Eleitoral o Ofício Nº 85/12, retirando sua inscrição)
 
Entidades Candidatas:
 
- Centro Joaquim Vicente Ferreira - CJVF (Representante: Maria da Conceição Ferreira B. de Melo)
- Casa Menina Mulher (Representante: Ana Claudia Rodrigues)
- Centro de Educação Popular Comunidade Viva - COMVIVA (Representante: Verônica Alves da Silva)
- Fórum Socioeducativo Estadual (Representante: Milton Bezerra de Lima)
 
A Eleição para a Coordenação do Fórum DCA/PE ocorrerá na próxima segunda-feira, 12/11/12, a partir das 09:00 horas, na sala do Pleno do CEDCA/PE.
 
Fonte: Fórum DCA/PE

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Trabalho infantil aumenta em 16 Estados


Com informações do O Globo
Segundo levantamento do Ministério Público do Trabalho no Ceará, cerca de 1.068 milhão de crianças de 10 a 14 anos trabalham no Brasil. O estudo, feito com base no Censo 2010, constatou aumento de 2000 a 2010 no número de meninos e meninas de 10 a 14 anos trabalhando em 16 Estados: o maior crescimento foi em Tocantins, Ceará, Piauí, Espírito Santo e Paraíba. O Sistema de Informações sobre focos de Trabalho Infantil, do Ministério do Trabalho, registrou, até este início de novembro, 7.133 denúncias, nas áreas da construção civil, serrarias, pecuária e carvoaria.
Precariedade – De acordo com o Ministério, o Peti, atende hoje 851.665 mil crianças e adolescentes de 6 a 15 anos. O total de repasses para as bolsas do Programa este ano já passa dos R$ 9 milhões. Desde 2005, o Programa está integrado ao Bolsa Família e, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, “Um dos problemas para a execução do Peti é o mau funcionamento dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Muitos ou não estão instalados, ou funcionam de forma precária, sem pessoal suficiente ou corpo técnico qualificado”, diz o procurador Ailton Benedito de Souza. Além disso, para a educadora social Michely Galdino, há uma “resistência” para as famílias que estão inseridas no Bolsa ingressarem no Peti pelo fato de terem que deixar ter atividade econômica. “A família que está no Bolsa Família acaba garantindo a renda. Mas isso não quer dizer que a criança deixa de trabalhar, dividindo o tempo entre trabalho e escola”.
Mobilização – A Fundação Telefônica, em parceria com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para Infância e Adolescência) e OIT (Organização Internacional do Trabalho), está promovendo a Campanha É da nossa conta! Trabalho Infantil e Adolescente. O objetivo é dar visibilidade ao tema do trabalho infantil e adolescente com foco na sensibilização via redes sociais. A ação propõe aos cidadãos que se tornem agentes multiplicadores, produzindo e compartilhando informações nas redes sociais abertas, no twitter e nos blogs.

Fonte: Pró-Menino

terça-feira, 6 de novembro de 2012

UFRJ promove encontro sobre defesa nacional, política migratória e geopolítica

Acontece, no dia 10 de dezembro, no Rio de Janeiro, a VII Rodada Latino-americana do Laboratório de Estudos da América Latina (LEAL). O tema do evento é Defesa Nacional, Política Migratória e Geopolítica da Economia Internacional. Haverá debates sobre: estratégia nacional de defesa na história do Brasil; Defesa, gestão e fronteiras; A política migratória brasileira no século XXI (nova abordagem ou velhos paradigmas?); e Os reflexos geopolíticos da economia internacional sobre a América Latina. O encontro contará também com o lançamento do livro "Relações internacionais: evolução e teorias da ciência do mundo", de Marcelo Coutinho, professor da UFRJ. Não é necessária a inscrição. 
Dúvidas devem ser esclarecidas pelo e-mail lealufrj@gmail.com

Fonte: RETS

Brasil: Violações aos direitos humanos da 6ª economia mundial


Em 2008, o Brasil recebeu 15 questionamentos, críticas e sugestões sobre direitos humanos no primeiro ciclo da Revisão Periódica Universal (RPU) realizada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Em 2012 foram 170. Nestes quatro anos, o País que virou a 6ª economia do mundo viu crescer não apenas suas ambições e capacidades, mas também a preocupação e a fiscalização internacional sobre as inúmeras violações de direitos humanas aqui cometidas.

Para Lucia Nader, diretora da Conectas, "novas preocupações, como as violações cometidas durante grandes eventos esportivos, tais como a Copa e a Olimpíada, ou em grandes obras, como as novas hidrelétricas no norte do Brasil, somam-se a antigas e reiteradas violações, como a situação medieval no sistema carcerário, onde tortura e maus tratos são mais parte da regra que da exceção, como mostram os relatórios da ONU aos quais nós temos acesso".

Conectas tem status consultivo na ONU. Em maio, no início da RPU, a organização subsidiou com informações e análises as 78 delegações que questionaram o Brasil em 170 diferentes pontos. Agora, quatro meses depois, a organização está novamente em Genebra, para ver o que o Brasil responderia a cada uma destas questões. 

"É muito importante que o Brasil assuma compromissos junto à ONU, no entanto, infelizmente muitos dos temas abordados não são novos. Novo, mesmo, seria o Brasil cumprir o que está na sua Constituição Federal, nas leis e o que promete internacionalmente. O País precisa tomar atitudes para mudar a realidade, por exemplo, do sistema prisional, que abriga hoje mais de 500 mil pessoas e onde há prática sistemática de tortura e maus-tratos, superlotação e outras inúmeras violações a direitos", completou Lucia.

Das 170 recomendações recebidas, praticamente um quarto versa sobre segurança pública, acesso à justiça e sistema prisional. O Brasil aceitou 159, 10 foram "parcialmente acolhidas" e rejeitou totalmente 1 - a que propunha a extinção da Polícia Militar. Para o Brasil, esta recomendação específica se choca com provisões constitucionais (leia os 170 pontos apresentados ao Brasil e a resposta do governo brasileiro).

Para a Conectas “ao rejeitar a recomendação sobre a desmilitarização das polícias, o Brasil se esquiva de abordar de forma séria e responsável a crise na segurança pública e a urgência de reforma das forças policiais. O aumento inaceitável de mortes e execuções pela polícia militar, como o que assistimos hoje no Estado de São Paulo, exige respostas coordenadas dos governos federal, estaduais e municipais”, completa Camila Asano, coordenadora do Programa de Política Externa e Direitos Humanos da Conectas, que está em Genebra acompanhando os debates na ONU.

Uma das conclusões da Conectas é de que a RPU vem se consolidando como um espaço importante para que se aprimore o monitoramento das questões de direitos humanos em todo mundo, inclusive no Brasil. Mas o debate, o envio de sugestões, críticas e questionamentos são apenas uma parte do exercício. "É preciso agora pôr energia no cumprimento do que foi prometido. Como costumamos dizer depois destas rodadas de muita exposição internacional: 'o mais difícil começa agora, na volta para casa", finalizou Camila.
Fonte: RETS

Acesso das organizações de defesa de direitos e bens comuns aos Fundos Públicos Federais

Para retratar o atual contexto de institucionalização das relações entre o governo federal e as organizações da sociedade civil, a Abong, com apoio da EED-Pão para o Mundo, realizou uma pesquisa sobre as relações entre o governo federal e as organizações da sociedade civil (OSC) do campo da defesa de direitos e bens comuns no tocante ao acesso aos fundos públicos federais. A análise aborda a nova estrutura do Plano Plurianual referente ao período 2012/2015 e a Lei Orçamentaria Anual para 2012, reafirmando tais instrumentos como bases para o estabelecimento de parcerias de fato referenciadas em princípios democráticos e republicanos. Com isso, traz informações detalhadas sobre alguns recursos federais disponíveis em áreas de especial interesse para as associadas.

O estudo, intitulado “Acesso das organizações de defesa de direitos e bens comuns aos Fundos Públicos Federais”, baseia-se também em uma pesquisa realizada junto a um grupo de associadas que estabeleceram convênios com o governo federal em período recente, além de entrevistas com gestores públicos.

Os resultados indicam alguns avanços na interação entre órgãos governamentais e organizações da sociedade civil, tais como a efetiva interseção entre políticas desse governo com as pautas das organizações de defesa de direitos e bens comuns; a aposta de alguns gestores na participação social como fator estruturante da política; a maior transparência promovida pela implantação da Plataforma do SICONV; e mais democracia com chamamento público por meio de editais. Dentre os obstáculos, destacam-se principalmente a burocracia e a insegurança jurídica.

Ainda que restrito à esfera federal, o estudo estabelece parâmetros para analisar e aperfeiçoar a relação das organizações com os poderes públicos estaduais e municipais. O conjunto dos dados e opiniões dos atores envolvidos demonstra que, apesar de existirem áreas de interseção entre os propósitos políticos do governo e das organizações, não há uma política de participação social que conte com um marco legal e fontes de recursos adequados. Sem essa política e esse marco legal, o bom uso dos recursos públicos fica ainda à mercê da boa vontade dos gestores públicos e de organizações de fato comprometidos com os direitos e os bens comuns ou da má fé de oportunistas que concebem ONG como mecanismo para driblar os necessários rigores no controle e prestação de contas do uso de recursos públicos.

Acesse aqui o estudo completo.

Guia Eletrônico

Os resultados deste estudo, bem como outros documentos e informações, estão disponibilizados no formato “Guia Eletrônico”, disponível em uma página eletrônica especial criada pela Abong sobre a temática – acesse aquihttp://www.abong.org.br/fundospublicos/. Este instrumento tem por objetivo disponibilizar informações atualizadas sobre fundos públicos no Brasil, para promover um melhor acesso aos mecanismos de financiamento pelas organizações da sociedade civil. Nesse sentido, o Guia fortalece aquelas que apostam na construção democrática, na transparência e no controle social, na luta por justiça social e desenvolvimento sustentável. É com gente assim e com organizações da sociedade civil autônomas e fortalecidas que poderemos combater e vencer os oportunismos.

Histórico

Entre 2000 e 2005, a Abong publicou anualmente um Manual de Fundos Públicos, com o objetivo de informar às associadas e ao público em geral sobre recursos públicos disponíveis para organizações da sociedade civil, com atuação nas áreas do desenvolvimento social e direitos humanos, abarcando órgãos públicos federais e embaixadas. Os levantamentos resultaram de uma parceria da Abong com o PAD – Processo de Articulação e Diálogo – iniciativa que reúne entidades europeias e brasileiras que promovem a cooperação internacional para o desenvolvimento justo e sustentável e a democracia. A EED-Pão para o Mundo é membro atuante do PAD.

Ao iniciar a publicação desses manuais, a direção da Abong marcava posição a respeito da legitimidade do acesso de organizações não governamentais aos fundos públicos, sem que isso as reduzisse a meros braços executores das políticas governamentais. Tratava-se de disputar o reconhecimento dessas entidades como atores de uma esfera pública ampliada que, sem diminuir as responsabilidades do Estado na promoção de políticas públicas universais, promovem a participação e o controle social, sendo indispensáveis à democracia.

A evolução das bases de sustentação política e financeira das associadas da Abong desde então confirma o acerto da aposta política dessa iniciativa. O último estudo sobre o perfil das associadas realizado pela Abong aponta que entre 2003 e 2007 aumentou seu acesso aos fundos públicos federais. Em 2003, eram 37% as que tinham acesso a esse tipo de recurso, contra 60% em 2007. O estudo mostra também que essas entidades vêm diversificando sua base de sustentação, que anteriormente se concentrava na cooperação internacional, acessando uma variedade de fontes: para 80% das associadas, os recursos federais não representavam mais que 20% de seus orçamentos em 2007, padrão que se repete também no acesso aos recursos estaduais e municipais.

É provável que, de 2007 para cá, os recursos públicos tenham senão crescido, pelo menos mantido sua participação nos orçamentos das entidades do campo da Abong, indicando a consolidação de zonas de interseção entre um certo conjunto de políticas governamentais e as expertises e objetivos de um campo de organizações não governamentais identificadas com a defesa dos direitos e dos bens comuns. Ocorre que, sem dúvida nenhuma, o acesso das ONGs aos recursos públicos se dá num contexto de grande insegurança jurídica, que acaba por comprometer a necessária autonomia que essas entidades deveriam manter em relação ao Estado, e também por fragilizá-las do ponto de vista de sua institucionalidade e reconhecimento social.

Por falta de um marco regulatório adequado, pelo qual a Abong vem lutando há mais de 20 anos, as parcerias de ONGs com governos vêm causando dores de cabeça tanto às organizações quanto aos gestores públicos que apostam na participação social como meio legítimo e eficaz de promover políticas públicas. Exigências burocráticas descabidas, muitas delas geradas pela equivocada equiparação das ONGs com órgãos públicos ou com empresas, somadas aos atrasos na liberação de verbas e morosidade na análise de prestações de contas desanimam agentes governamentais e organizações comprometidas com o sentido público de seus projetos e programas. Por outro lado, a mesma falta de um marco legal adequado permitiu que gestores/as e organizações menos comprometidos com esse espírito público firmassem convênios e termos de parceria que implicaram em mau uso dos recursos públicos, provocando a onda de criminalização que prejudica a todas as organizações e gestores públicos indistintamente e, o que é mais grave, solapa a crença da sociedade nas instituições democráticas.

Fonte: RETS

ENTRE LAÇOS: Palestras de novembro de 2012


No mês de novembro, no dia 10/11/2012 teremos a palestra  "A agressividade em questão" e no dia 24/11/2012 a palestra  - "Crescimento, desenvolvimento e amadurecimento. Como compreendemos estes conceitos na educação infantil?" - fecha o ciclo de palestras de 2012.
Veja informações abaixo e faça a sua inscriçao no nosso site!

Adicione o @entre_lacos no seu TWITTER!

Cadastre-se em nosso site!

A agressividade em questão

Ementa: Quando os colegas se agridem, achamos a agressividade inconveniente. Quando se vence uma disputa, ela se torna uma qualidade. 

A proposta deste encontro é de apresentar as origens e funções da agressividade e refletir sobre como considerá-la um mecanismo de exploração, aprendendo assim a compreender as diferentes formas dela se manifestar e a intervir com mais propriedade nas situações em que ela se faz presente. 

Docente: Flávio Veríssimo - Psicólogo (PUC-SP), Psicanalista (Instituto Sedes Sapientiae) e Acompanhante Terapêutico. Membro do INFANS/ ENTRE LAÇOS desde 2006. 

Público alvo: Educadores e profissionais da primeira infância.

Data: 10.11.2012 – Sábados. Horário: 9h às 13h.

Valor: R$ 80,00. 

 
Crescimento, desenvolvimento e amadurecimento. Como compreendemos estes conceitos na educação infantil?

Ementa: Quais são as competências do bebê? Como podemos auxiliá-lo em seu crescimento, em sua constituição? 

Na pediatria utilizam-se gráficos e tabelas como padrões de referências para avaliar o peso, a estatura ou perímetro encefálico do bebê, mas quais são as ferramentas, instrumentos e parâmetros possíveis que o educador pode utilizar para observar como o desenvolvimento da criança está ocorrendo?

Objetivo: Promover uma reflexão sobre o desenvolvimento, crescimento e amadurecimento da criança pequena dentro do ambiente institucional.

Docente: Jonathas Salathiel - Psicólogo Universidade São Marcos. Curso de especialização em Teoria Psicanalítica COGEAE PUC/ SP. Aprimoramento na Clínica com o Bebê. Aprimoramento pelo PAVAS/USP em Violência Sexual. Atendimento Clínico com bebês, gestantes e adultos. Acompanhante Terapêutico. Membro do INFANS desde 2001 e diretor tesoureiro do ENTRE LAÇOS em 2012.

Público alvo: Educadores e profissionais da primeira infância

Data: 24.11.2012 – Sábado – Horário: 09h às 13h

Valor: R$80,00
 
 
Local: Instituto Avisa Lá – Rua Apinajés, 2032- Vila Madalena/ Perdizes, 01258-000 – 450m do metrô Vila Madalena, São Paulo – SP. Próximo a esquina Avenida Heitor Penteado com a Rua Apinajés.

Informações:
11-3493-7394/ 11-9719-8505   ou  contato@entrelacos.org.br

Emitimos certificado com número de horas e NF-e. 

Fonte: ENTRE LAÇOS

O Poder das Pessoas vs Indústrias Petrolíferas






Caros amigos,



Em poucos dias, o parlamento da Nigéria pode aprovar uma multa de US$ 5 bilhões de dólares para a gigante poluidora Shell e dar início a uma lei que responsabilizaria empresas de petróleo pela primeira vez na história. O presidente apoia essa multa, mas a indústria petrolífera está intensamente pressionando os parlamentares a votarem contra a reforma. Nossas vozes podem pressioná-los a conseguir justiça para o povo da Nigéria. Junte-se a este chamado urgente agora!

Assine a petição
Em poucos dias, o parlamento da Nigéria pode aprovar uma multa de US$ 5 bilhões de dólares para a gigante poluidora Shell por conta de um derramamento de óleo que devastou a vida de milhões de pessoas, e aprovar uma lei para responsabilizar empresas petrolíferas por poluição e pilhagem. Esse é um momento crítico, e a menos que nos pronunciemos a respeito, as gigantes petrolíferas vão destruir essa oportunidade.

Finalmente a indústria de petróleo terá que pagar por destruir terras férteis e gerar violência. O presidente Goodluck Jonathan apoia a aplicação dessa multa, e senadores progressistas estão fazendo pressão por regulamentações rígidas na legislação, mas as indústrias petolíferas poderão escapar facilmente, pois sem um grande apoio internacional, os parlamentares poderão se curvar diante da pressão da indústria de petróleo.

Os políticos estão decidindo, neste exato momento, de que lado vão ficar. Assine esta petição urgente para o parlamento nigeriano multar a Shell e apoiar o projeto de lei e, em seguida, encaminhe esse email para todos. Quando chegarmos a 1 milhão de assinaturas levaremos nosso clamor global sem precedentes para a porta de entrada do parlamento da Nigéria:

http://www.avaaz.org/po/make_shell_pay_b/?bgxqxbb&v=19091

Especialistas dizem que, todos os anos, a indústria de petróleo derrama uma quantidade de petróleo equivalente a um navio Exxon Valdez no Delta do Níger, mas como isso acontece na África, há pouca atenção na mídia. Após um vazamento na unidade de exploração de petróleo da Shell em Bonga, em dezembro do ano passado, milhões de barris de petróleo foram derramados no oceano e espalhados pela região costeira altamente populosa – isso resultou em um dos maiores derramamentos de petróleo da África. A multa e o projeto de lei que vem sendo discutidos no parlamento são uma chance única para se erguer diante da indústria do petróleo.

As empresas de petróleo já lucraram US$600 bilhões de dólares nos últimos 50 anos na Nigéria, mas os habitantes nunca se beneficiaram disso. Suas terras, água potável e áreas de pesca estão arruinadas. A Shell gasta centenas de milhões de dólares por ano com forças de segurança, reprimindo protestos contra suas práticas danosas.

A indústria do petróleo é crucial para a economia, mas as empresas nunca foram responsabilizadas pela devastação causada com a perfuração. Agora, o presidente da Nigéria e alguns parlamentares corajosos se pronunciaram e podem finalmente atingir as gigantes indústrias petrolíferas com multas rígidas e compensar as vítimas. Se mostrarmos a estes parlamentares que o mundo apoia esta ideia, poderemos realmente mudar a vida de milhões de pessoas. Clique abaixo para assinar a petição urgente:

http://www.avaaz.org/po/make_shell_pay_b/?bgxqxbb&v=19091

Membros da Avaaz já se ergueram diante das grandes indústrias de petróleo em várias partes do mundo. Contra a Chevron no Equador, o derramamento de petróleo no Golfo do México, e pelo fim dos subsídios aos combustíveis fósseis na Rio+20. Vamos nos unir mais uma vez, agora pela Nigéria. Vamos garantir que os políticos enviem uma mensagem clara para as indústrias petrolíferas: seus dias de impunidade acabaram.

Com esperança e determinação,

Pascal, Patricia, Alex, Ricken, David, Rewan, e toda a equipe da Avaaz


Mais informações:

Shell leva multa de US$ 5 bilhões por vazamento de óleo no Rio Níger (G1)
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/07/shell-leva-multa-de-us-5-bilhoes-por-vazamento-de-oleo-no-rio-niger.html

Shell responderá na Justiça holandesa por vazamentos de óleo na Nigéria (DW)
http://www.dw.de/shell-responder%C3%A1-na-justi%C3%A7a-holandesa-por-vazamentos-de-%C3%B3leo-na-nig%C3%A9ria/a-16300583-1

As investigações ao derrame de petróleo no Delta do Níger são “um fiasco” (Amnistia Internacional)
http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1069:investigacoes-ao-derrame-de-petroleo-no-delta-do-niger-sao-um-fiasco&catid=15:noticias&Itemid=92

Descontaminação do Delta do Níger vai demorar até 30 anos, diz ONU (G1)
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/08/descontaminacao-do-delta-do-niger-vai-demorar-ate-30-anos-diz-onu.html

Wikileaks: multinacional petrolífera se infiltrou no governo da Nigéria (Opera Mundi)
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/8134/conteudo+opera.shtml

Fonte: Avaaz

VI Encontro Nacional de Educação Social









Endereço: Rua 235, s/n - Setor Universitário – Goiânia/GO

INFORMAÇÕES:
6enesgoiania2012@gmail.com


PROGRAMAÇÃO DO VI ENCONTRO
www.educacaosocial.org.br

15/11/12
14h às 19h - Credenciamento
19h - Abertura - Conferência Magna: "Educação Social e Políticas Públicas: Uma História Possível" Encerramento: Apresentação cultural (congada).
16/11/12
08h às 12h - Credenciamento
09h às 13h - Mesa redonda e debate
Educação Social: Pluralidade de Práticas, Espaços e Políticas Públicas Expositores: Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Campanha Nacional Criança não é de Rua, Movimento da População Adulta de Rua.
13h às 14h - Almoço
14h às 18h - Mesa redonda e debate
Educação Social: Regulamentação, Formação e Organização Profissional Expositores: Ministério da Educação e Cultura, Deputado Francisco Lopes, Associação de Educadores do Ceará, Associação de Educadores de São Paulo, Associação Internacional de Educadores Sociais, Rede de Educação Cidadã.
17/11/12
08h30' às 13h - Grupos Temáticos
Concepções metodológicas de educação social Formação Profissional Regulamentação profissional Sistematização das propostas dos Grupos.
12h30' às 14h - Almoço
14h às 18h - Plenária
Organização dos trabalhadores em educação social.

18/11/12

08h30 às 10h30 - Plenária de apresentação das conclusões dos grupos temáticos
10h30' às 11h30 - Leitura da Carta de Goiânia; Avaliação do VI ENES; Definição do local do VII ENES e sua periodicidade.


Atenciosamente,

Quênia de Oliveira 
Secretária Camp. Nac. Criança Não é de Rua
( (+ 55 85) 3212-9477 -- 3212-2836 
Skype: Observatório Nacional

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CONSELHO TUTELAR: UM ESTRANHO EXTRATERRESTRE‏


O cinema ao longo do tempo sempre explorou a possível vida em outros planetas. Marte, naves espaciais e seus estranhos seres (verdes??) faziam parte desse universo . Por causas nunca explicadas nas telonas, essas estranhas civilizações invadiam nosso “mundinho atrasado” e, a todo custo, dominava ou tentava  subjugar a  todos nós, terráqueos. “Guerra dos mundos”, remake de 2005 e contatos imediatos do terceiro grau de 1977, ambos dirigidos pelo cineasta  Steven Spielberg ajudaram a construir esse incrível imaginário coletivo.
 
Recentemente acompanhando um grupo de conselheiros tutelares em  visita a uma escola modelo conhecemos coisas muito interessantes: prédio novo, salas amplas, bem ventiladas/climatizadas, móveis adaptados a faixa etária,  recursos audiovisuais (pc,datashow), biblioteca onde os alunos levavam os livros para casa , refeitório com cardápio de nutricionista, professores motivados e ... alunos felizes.  Falo de uma escola de ensino fundamental até a 4ª série. Escola pública  com cara de inclusiva e cidadã. A gestora (o nome moderno é esse agora...)  no afã de nos mostrar a “produção cultural coletiva” dos alunos do 1º ano b nos presenteia com um singular verso: “lá vem ele, lá vem ele. Magro, alto, cabeça grande, olhos fundos./lá vem Beto em uma nave aparecendo no céu, na cabeça um chapéu./vive em uma nave, aparecendo na terra na 6ª feira treze./ele é mau! Ele é mau. Leva crianças para matar? NÃO, LEVA CRIANÇAS DESOBEDIENTES PARA O CONSELHO TUTELAR!.
 
Concordo que o ct ainda pareça um extraterrestre. Afinal esse ser que “pega criancinhas desobedientes” só tem 22 anos, 12, 10  ,8 ou até menos,  dependendo de onde estivermos .  Conheço alguns até que se assemelham a essas criaturas disformes de cabeça grande e olhos fundos. Por acaso não seriam aqueles que quando implantados pelo poder público municipal deixa-lhes faltar as condições mínimas  de funcionamento: tem o computador , mas falta a impressora, ou tinta dela; carro, vai o emprestado de outro órgão; telefone?(é o meu que ainda tem bônus). E a sede? Essa de tão improvisada e sem condições deveria ser destruída, como nos filmes de ficção, por armas laser.  O ET do filme quase sempre é mau. Assim como o do verso.  E o que dizer quando imputam aos conselheiros o papel de policial, médico, juiz, promotor ou técnico social descaracterizando a sua natureza. Não seria uma forma  de dar-lhes um pseudo poder  de subjugar e entrar na mente de nossas crianças , adolescentes  e por que não de seus pais , pobres terráqueos,  e transformá-los em seres bons e obedientes ?.
 
Não me  incomoda  tanto quando a dileta professora,  quem sabe em mais uma de tantas tentativas de dá limites  a sua turma , diz que criança desobediente vai para o conselho tutelar. Mas me incomoda muito quando a nossa rede de atendimento por omissão, por desconhecimento atribui  e cobra dos conselhos tutelares atribuições que não lhes são de direitos. E Estes, por achar cobrado pelo Estado ou pela  sociedade, age sem se importar com a estrita observância das normas e da função de zelador de direitos. Mas o que todos nós  devemos sentir profundamente incomodados é quando quem tem o dever legal e moral de garantir   condições mínimas para o funcionamento de órgão de extrema importância na defesa da pessoa humana agem como autoridades terrestres dos filmes de alienígenas: tentam minar as ações desses seres até que consigam exterminá-los (conselhos, crianças...) e os expulsarem do nosso meio.

ALEXANDRE BEZERRA

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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós.  Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para  jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

Fonte: ABONG

Autorizações de trabalho infantil causam polêmica


Pais e empresas obtiveram mais de 3 mil autorizações em 2011. Ministro diz que há até casos de autorizações para trabalho infantil em lixões

Por Maria Denise Galvani, da Repórter Brasil

Nos últimos dois anos, o debate sobre a competência de juízes e as condições para autorização de trabalho de menores de 16 anos ganhou importância e passou a envolver diferentes agentes do sistema judicial. Hoje, o trabalho infantil institucionalizado preocupa tanto quanto o informal e muitas das autorizações concedidas por varas da Justiça Estadual provocam polêmica no Judiciário. “Já chegaram ao conhecimento público casos de autorização para trabalho em lixões, situação que obviamente, já à primeira vista, se revela nociva a criança e ao jovem”, conta o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Lélio Bentes Corrêa.

Em 2011, foram registrados no cadastro de emprego formal da iniciativa privada brasileira 3.134 casos de crianças e jovens trabalhando com autorização prévia da Justiça. Na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do ano anterior, 2010, eram mais de sete mil. Segundo Luiz Henrique Ramos Lopes, coordenador da divisão de trabalho infantil do Ministério do Trabalho e emprego (MTE), a expressiva redução deve-se em parte ao trabalho de revisão e orientação no preenchimento do cadastro junto às empresas. “Notamos que havia mesmo muito erro por parte das empresas ao prestar informações, daí o número exagerado de autorizações em 2010”, explica.

Criança morando e trabalhando em lixão em Natal, Rio Grande do Norte. Foto: João Roberto Ripper 

A pobreza justifica?

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, defendeu a ação de juízes que emitiram autorizações polêmicas. “Ninguém deseja o trabalho infantil, mas juízes e promotores trabalham com a realidade social e a realidade brasileira é que muitas famílias dependem do trabalho do menor”, ele disse então. Acesse a entrevista.

Segundo a legislação brasileira, qualquer forma de trabalho é proibida para crianças de até 14 anos. Jovens de 15 e 16 anos podem exercer atividade remunerada como aprendizes, em atividades com fins claros de profissionalização e sob a supervisão de uma institução de ensino daquele ofício. Para autorizar o trabalho de jovens fora do regime de aprendizagem, o principal argumento dos juízes tem sido as condições da família. “Se eu tivesse que decidir entre uma família perecer de fome [ou autorizar um menor de idade a trabalhar], não teria dúvidas”, disse o desembargador Nelson Calandra à Agência Brasil.

A autorização judicial para o trabalho de crianças e adolescentes está prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – que é de 1943, conforme lembra Lélio Corrêa. “A CLT baseou-se no código de menores de 1927, que tinha uma concepção totalmente diferente da infância. Nele, as crianças em situação de rua eram tratadas como potenciais criminosos e o trabalho era visto como uma solução, não um problema. Já o grande avanço do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi ver a criança e adolescente como sujeitos de direito”, afirma o ministro Lélio.

Foram pouco mais de três mil autorizações judiciais, enquanto no mesmo ano de 2011 foram mais de dez mil as autuações por exploração de trabalho infantil na informalidade em todo o Brasil. Embora sejam menos os casos de trabalho infantil institucionalizado, a questão é considerada importante por explicitar como argumentos que contrariam o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda são acolhidos pela Justiça.

“Se há uma família que depende do salário de uma criança ou um adolescente para se sustentar, há um problema com a sociedade”, defende o ministro do TST. “Isso não pode servir de justificativa para autorização para trabalho – senão, estaríamos condenando essa família a repetir um ciclo de pobreza”. É trabalho do juiz, segundo ele, encaminhar as famílias nessas condições para as políticas de assistência social existentes no país e fazer a cobrança diretamente do gestor público.

Conflito de competências

Para o presidente do TST, embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhça a competência das varas da Infância e da Adolescência para emitir as autorizações judiciais, existe um conflito de competências. “Se no curso do contrato acontece qualquer incidente de ordem trabalhista com o adolescente, a competência é da Justiça do Trabalho. É um mosaico de competências que não ajudam na tutela dos interesses das crianças e jovens”, afirma.
Sob esse argumento, a Justiça do Trabalho tem reivindicado para si a competência pela emissão de eventuais autorizações judiciais para trabalho em situações não previstas pela legislação.
“O ECA ressalva algumas hipóteses de trabalho, mas sempre resguardando a integridade física e moral da criança e seu direito de acesso e aproveitamento da educação – e sempre mediante decisões fundamentadas, estabelecendo inclusive as condições do trabalho a que o jovem estará submetido”, sustenta Lélio. “A Justiça do Trabalho está bem aparelhada para fazer esse tipo de avaliação, pelo conhecimento que tem, por definição, das relações econômicas”, afirma ele.
Em agosto deste ano, um seminário para debater a procedência das autorizações judiciais que têm sido expedidas no país foi organizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público e Conselho Nacional de Justiça – órgão acionado, ainda em 2011, para averiguar as condições de emissão de autorização judicial. O encontro reuniu, além de promotores públicos e fiscais, juízes do Trabalho e da Infância e Juventude. Entre as deliberações, de caráter indicativo, está a apreciação de pedidos de autorização de trabalho de menores por parte da Justiça do Trabalho, que teria melhores condições de avaliar os casos à luz da legislação específica sobre trabalho.

Fonte: Pró-Menino