segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Brasil assume compromissos de governo aberto

A presidenta da República, Dilma Rousseff, defendeu a aprovação do Projeto de Lei de Acesso a Informações Públicas durante a sua participação, nesta terça-feira, 20/9, da cerimônia de lançamento da Parceria para Governo Aberto (PGA), iniciativa copresidida pelo Brasil e Estados Unidos. A reunião, que antecedeu a Assembleia Anual das Nações Unidas, em Nova York, contou com a presença do presidente americano, Barack Obama.

A parceria busca estimular governos de todo mundo a aumentar o acesso a informações públicas que possam apoiar a participação e o acompanhamento da sociedade em relação a iniciativas governamentais em diversas áreas.

Dilma apresentou durante o evento os compromissos assumidos pelo governo brasileiro para implementar as ações da PGA. O Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade (Cadastro Empresa Pró-Ética), projeto realizado em parceria pelo Instituto Ethos e pela Controladoria-Geral da União (CGU), foi a única estratégia listada pelo governo brasileiro para enfrentar o desafio do “Aumento da Responsabilidade Coorporativa”. O objetivo do Cadastro Empresa Pró-Ética é dar visibilidade às empresas que investem em medidas em favor da ética, da integridade e da prevenção da corrupção e estão engajadas na construção de um ambiente de maior confiança nas relações entre os setores público e privado.

Para participar da PGA, cada país precisa assumir compromissos em pelo menos um dos cinco desafios colocados pela parceria: “Fortalecimento dos Serviços Públicos”; “Aumento da Integridade Pública”; “Gestão Mais Eficaz dos Recursos Públicos”; “Criação de Comunidades Mais Seguras”;e o já citado “Aumento da Responsabilidade Empresarial”. O governo brasileiro só não apresentou estratégias para o desafio relacionado a comunidades mais seguras.

Em seu discurso, Dilma defendeu o uso de novas tecnologias como parte de uma estratégia para ampliar os direitos sociais e fortalecer a democracia. “O uso das redes digitais é essencial para a promoção de governos mais transparentes e acessíveis aos cidadãos, para a melhoria dos serviços públicos de educação, saúde, segurança e meio ambiente. Essas redes são um importante instrumento para o nosso objetivo de fortalecimento da democracia”, declarou a presidenta, no lançamento da iniciativa.

Os compromissos assumidos pela presidenta Dilma Rousseff consideram o acesso à informação como eixo fundamental para o controle e a participação social. São fundamentais a organização dessas informações, considerando o conceito de dados abertos, além de ações de capacitação, engajamento e mobilização da sociedade civil para o acompanhamento do governo.

A realização da 1ª. Conferência Nacional de Transparência e Controle Social (Consocial), prevista para maio de 2012, tem como objetivo estabelecer um Plano Nacional de Transparência e Controle Social e é um marco fundamental para o processo de inclusão da cidadania na gestão do governo, refletindo um fortalecimento da sociedade civil organizada e do controle social no Brasil.

Ponto Fraco

Apesar de presidir a iniciativa, o Brasil ainda não cumpre todos os pontos defendidos pela parceria. A participação na PGA pelos governos depende de um compromisso claro com pelo menos uma dessas quatro áreas-chave: transparência fiscal; divulgações financeiras por autoridades eleitas ou da alta administração; participação cidadã; e acesso a informação. Este último ponto inclui uma lei de acesso a informações públicas, algo que nosso país ainda não tem. “Já que o Brasil lidera com os Estados Unidos a Parceria para Governo Aberto, é imperativo que o governo e o Senado brasileiros lutem pela transparência com o avanço da tramitação de uma lei progressista de acesso à informação, de forma a ganhar mais legitimidade em nível global”, avaliou Paula Martins, diretora do escritório da ONG Artigo 19 para a América do Sul.

O Projeto de Lei Complementar nº 41/2010, que trata desse assunto, está atualmente em discussão no Senado Federal. A não existência de uma lei desse tipo no Brasil  foi questionada pelo presidente Barack Obama, que lembrou que países como Turquia, México e Libéria aprovaram leis que garantiram a seus cidadãos o direito à informação.
Para saber mais sobre essa parceria, acesse www.opengovpartnership.org.

Fonte: Instituto Ethos

REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO FÓRUM DCA/PE

No dia 26/09/2011, na sede do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco, no Recife, foi realizada reunião extraordinária do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco.
A reunião teve como objetivo a entrega do documento com questões relativas a agilização do processo de desinternação dos adolescentes da FUNASE ao Ministério Público, Poder Judiciário, CEDCA/PE, Secretaria da Criança e Juventude e Defensoria Pública.
Compareceram a reunião representantes das seguintes instituições: ADASI, AMPRCS, CJVF, CEO, CEDES, Casa de Passagem, C.C.A.Rural Pe.Josep Sequat, LBV, Associação Santa Clara, MNMMR-PE, CETESI e Casa Menina Mulher.
O documento foi entregue aos representantes da Secretaria da Criança e Juventude e CEDCA/PE, Fernando Silva e Madalena Fucks, respectivamente. Os representantes do Ministério Pùblico e Poder Judiciário não compareceram a reunião.
A próxima reunião do fórum ocorrerá no dia 10/10/2011, e terá como pauta principal, o estabelecimento de critérios para a escolha da nova Coordenação do Fórum DCA/PE.

Leia abaixo a íntegra do documento:


Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco – FEDCA/PE.

Recife 26 de setembro de 2011.

Exmos/as Senhores/as aplicadores e executores de Medidas Socioeducativas no Estado de Pernambuco.
O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco nas comemorações dos seus 25 anos de atividades, promoveu um Congresso com a participação de mais de 200 representantes de Organizações Não governamentais debatendo temas de interesse para fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos em nosso Estado. São eles:
1- A participação da Sociedade Civil nos Conselhos de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.
2- O Direito a Convivência Familiar e Comunitária.
3- O Orçamento Criança, como intervir?
4- Medidas Socioeducativas – Propondo novos tempos.
O último tema contou com a presença de adolescente do CASE- Jaboatão, CASE – Santa Luzia e de Adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas em meio aberto em outros municípios. Nesta oficina os grupos de adolescentes tiveram a oportunidade de debaterem propostas para melhoria na aplicação das Medidas Socioeducativas no nosso Estado.
 O Fórum Estadual DCA/PE, decidiu apresentar as propostas dos jovens da forma como foi encaminhada a Coordenação do Congresso. O que nos impressiona é que a simplicidade não reflete as dificuldades que os mesmos passam no período de internação. Senão vejamos:
PROPOSTAS E REFLEXÕES APRESENTADAS PELOS ADOLESCENTES NO CONGRESSO.
1 - Os processos têm seus julgamentos com lentidão;
2 – É Preciso melhorar a alimentação no sistema socioeducativo e de proteção;
3 – Precisamos de profissionais qualificados para o sistema socioeducativo e de proteção;
4 – É preciso ter Paciência com os adolescentes nas unidades dos sistemas socioeducativos e de proteção;
5 - Direito de privacidade para com os objetos  pessoais;
6 – Faz muita  falta a  visitas dos familiares;
7 – Precisamos de alojamentos dignos e com segurança;
8 – O Atendimento de saúde não atende prioridades dos adolescentes (dentistas, clínico geral e médicos em geral);
9 - Nas unidades do sistema socioeducativo de meninas é necessário: Mais banheiros e quartos espaçosos  para oferecer um sistema mais digno;
11 -  O Atendimento socioeducativo precisa ser sem violência;
12 - Falta  manutenção nas unidades;
13 - É necessário higiene nas casas de acolhimento;
14 – Nós queremos o direito a Educação de qualidade;
15 - As unidades estão superlotadas;
16 - Transportes  e Lazer nas férias;
17 - Qualificação dos monitores;
18 - Garantir cursos profissionalizantes e colocação no mercado de trabalho (informática, mecânica, administração etc.);
19 - Mais atuação no sistema de triagem, não ultrapassando o período garantido no Estatuto da Criança e do Adolescente;
20 - As políticas públicas precisam ser implementadas nas comunidades em que vivem as crianças e adolescentes, para que não haja a busca por elas em
outras comunidades, como saneamento básico, ensino de qualidade e segurança.
Reflexões dos Adolescentes:
“A importância desse Congresso para nós é avançar mais e mais a política da criança e do adolescente, para termos uma melhoria de vida em geral”.
“Essa oportunidade que temos é ótimo porque mexe com  nossos sentimentos e trocamos idéias”.
“A importância de eventos sociais e movimentação popular em defesa da criança e do adolescente, permite que possamos nos expressar e ter melhorias em nossa área”.
“Esse movimento social é importante para nos expressarmos, construir um documento que será entregue às lideranças políticas e através disso poderá ser mudada ou não a nossa realidade para termos uma qualidade de vida”.
DO FÓRUM  ESTADUAL DCA/PE:
No momento é nossa intenção propor alternativas para agilização dos procedimentos com intuito de diminuir o número de internos nas FUNASEs. Nós do Fórum Estadual DCA, temos consciência DO NOSSO PAPEL DE CONTROLE SOCIAL e temos convicção  que os problemas não estão apenas nas Unidades de Internação,  mas em todo o processo de  aplicação das medidas em nosso Estado.
Neste sentido:
  • Considerando que, nos 21 anos de Estatuto da Criança e do Adolescente é na área de aplicação das medidas socioeducativas em que menos avançamos.
  • Reconhecendo a importância da aprovação do Plano Estadual de Execução de Medidas Spcioeducativas no nosso Estado.
  • Mesmo considerando e reconhecendo o esforço de vários órgãos do Sistema de Garantia de Direitos (talvez consideremos o esforço de pessoas e não necessariamente de seus órgãos).
  • Considerando ser Pernambuco um dos Estados da Nação que mais interna.
  • Considerando ser a superpopulação existente nas Unidades de Internação  um dos maiores problemas a serem enfrentados.
  • Considerando ser a “cultura“ de internação uma prática comum de alguns juízes.
  • Considerando que, vários adolescentes tem passado dos 45 dias previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente para definição na aplicação das medidas.
  • Considerando a inexistência de  equipe  do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e Assistência Social para agilização nos procedimentos iniciais ao adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional .
  • Considerando que, vários adolescentes são internados por determinações equivocadas e contrárias ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA Artigo 122:
       A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
        I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
        II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
        III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
        § 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a três meses.
        § 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada.
Propomos:
1- Que seja realizado uma grande mutirão por parte do Poder Judiciário de Pernambuco, analisando a situação de cada adolescente que passado os 45 dias iniciais ainda continuam internados e não sentenciados.

 (Art.108.- A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.)
2- Que neste mutirão seja analisada a situação de cada adolescente internado observando: Quantos foram colocados no sistema fechado mesmo não se caracterizando o que está previsto no Artigo 122. Quantos destes já deveriam ter sido  liberados ou colocados em progressão de Medidas.
3- Que se faça um esforço continuo principalmente nas cidades onde existe número elevado de adolescentes nas unidades de internação para que nas decisões do Juiz da Infância e da Juventude haja: “Integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional”.
4- Que a partir do momento da internação haja uma verdadeira preparação quanto ao retorno do adolescente para casa. Aplicando sempre que possível medida de proteção aos mesmos e medidas pertinentes aos pais ou responsáveis.
5- Que haja um esforço concentrado para diminuição das internações, com criação de uma comissão analisando todas as internações efetuadas.
6- Que o SINASE seja respeitado na aplicação de todas as Medidas Socioeducativas no nosso Estado.

A Coordenação do Fórum Estadual DCA/PE
Silvino Neto - CEO 
Conceição Ferreira - CJVF 
Reginaldo Silva - KNH

IV Seminário de Estadual de Educação do Poder Legislativo

Estão abertas as incrições para o IV Seminário de Estadual de Educação do Poder Legislativo. O tema deste ano é "Participar e construir: caminhos para o Plano Estadual de Educação". As inscrições ocorrem entre 26 de setembro e 11 de outubro na Escola do Legislativo, anexo III da Assembleia Legislativa. Mais informações, ligue (81) 3183.2468 ou (81) 3183.2407.

Fonte: Escola do Legislativo

Centro de Educação da UFPE comemora 60 anos de fundação

Depois de lembrar os 90 anos de nascimento de Paulo Freire, a Assembleia Legislativa traz para seu plenário o Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco que também faz aniversário no mesmo dia que o educador.
A solenidade na Casa do Povo de Pernambuco será na próxima quinta-feira, 29 de setembro, às 10h. A entrada é livre para todas as pessoas interessadas.

Fonte: Boletim eletrônico Dep. Teresa Leitão

Assembleia Legislativa celebra 90 anos do nascimento de Paulo Freire

Assembleia Legislativa celebra 90 anos do nascimento de Paulo Freire

Considerado um dos mais importantes educadores do século XX, Paulo Freire recebeu homenagem da Assembleia Legislativa no último dia 22 de setembro, durante o Grande Expediente Especial pelos seus 90 anos de nascimento. O evento foi solicitado pela deputada Teresa Leitão (PT) e reuniu professores e admiradores do pedagogo. 
Natural do Recife, Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, e morreu em 2 de maio de 1997, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por complicações cardíacas. 
Formado em Direito, em 1947, pela Faculdade de Direito do Recife, iniciou a experiência com alfabetização de adulto quando era diretor do Departamento de Educação e Cultura do Sesi. O golpe militar de 1964 o impediu de continuar coordenando o Plano Nacional de Alfabetização, criado pelo então presidente da República João Goulart. 
Após ser exilado na Bolívia, o educador seguiu para o Chile, onde permaneceu por cinco anos. A principal obra, Pedagogia do Oprimido, foi lançada em 1969, e detalha o método para alfabetizar adultos. Ele recebeu importantes Prêmios, a exemplo do Educação para a Paz (das Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (da Organização dos Estados Americanos, 1992). 
“Freire desafia a sociedade a ecoar o grito dos oprimidos e a valorizar a autonomia, exigindo que os educadores sejam especiais no desempenho da tarefa”, observou Teresa. Uma das maiores contribuições do homenageado, segundo a petista, é a tese de que educar é um ato político, portanto inexiste neutralidade pedagógica. “Esse conceito vincula o ensino à construção de um projeto de sociedade”, avaliou. 
O presidente do Centro Paulo Freire de Estudos e Pesquisas, Agostinho Rosas, recebeu uma placa alusiva à data. “A homenagem celebra um pensador que ousou lutar pela libertação dos povos. Celebra o reconhecimento à vida e exalta uma obra necessária, se o desejo for de construir uma sociedade mais livre e aberta ao dialogo e à crítica”, comentou. 

Fonte: Boletim Eletrônico Dep. Teresa Leitão/Setembro 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo


Confira a íntegra do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, também chamado de SINASE.

A educação e o sistema socioeducativo


Ilanud

O Direito à educação é um direito fundamental previsto na Constituição Federal e enfatizado pelo ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 1990.
 
Mais do que simplesmente instrução e alfabetização, o acesso à educação de qualidade é um portal para a cidadania plena e a inclusão social em muitos níveis.
Extremamente importante na formação e desenvolvimento de qualquer criança e jovem como caminho para a construção de seu futuro, a educação se faz ainda mais fundamental quando se trata de adolescentes em conflito com a lei, que hoje cumprem algum tipo de medida socioeducativa.
 
Nesse contexto, educar torna-se sinônimo de ressocializar e reinserir. No âmbito da internação ou mesmo no cumprimento de outros tipos de medida socioeducativa, como as em meio aberto, por exemplo, a educação assume um papel ainda mais relevante para os que agora precisam reaprender conceitos e redesenhar suas perspectivas.
 
O projeto político-pedagógico do sistema socioeducativo nos moldes atuais, sobretudo no que diz respeito à medida de internação, não vem cumprindo seu papel, tampouco tem sido capaz de executar a legislação da maneira em que esta é prevista pelo ECA. Diante desse cenário, a garantia de uma educação de qualidade na esfera do sistema socioeducativo torna-se um desafio particularmente complexo, mas ao mesmo tempo urgente a ser enfrentado.
 
O ECA – Teoria e Prática
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente é taxativo: é obrigatório o oferecimento de escolarização para os jovens que estejam cumprindo medida socioeducativa.
 
Ou seja, para o ECA, a aplicação dessas medidas deve ter natureza essencialmente pedagógica, respeitando, efetivamente, sua nomenclatura.
 
Mas, embora o ECA seja bem claro nessa sua determinação, ainda há divergências entre o que prevê a lei e o que se executa na prática. Em seus 17 anos de existência, o Estatuto ainda não foi implementado e nem mesmo é cumprido em sua plenitude, e no campo da educação o cenário não é diferente.
 
Para a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Carmen Oliveira, assim como determina o ECA, a escola deve ser a base desse atendimento. “A escola é prioritária no atendimento socioeducativo. Isto porque a grande maioria dos adolescentes que cumprem essas medidas apresenta baixa escolaridade, em um cenário de trabalho cada vez mais exigente e competitivo”, afirma.
 
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 2002, mostram que, embora 92% da população de 12 a 17 anos estejam matriculadas, 5,4% ainda são analfabetos. Na faixa etária de 15 a 17 anos, 80% dos adolescentes freqüentam a escola, mas somente 40% estão no nível correspondente a sua faixa etária, e somente 11% dos adolescentes entre 14 e 15 anos concluíram o Ensino Fundamental. Na faixa de 15 a 19 anos, diferentemente da faixa etária dos 7 a 14 anos, a escolarização diminui à medida que aumenta a idade. Dados de 2004 mostram ainda que a escolarização bruta de jovens de 15 a 17 anos é de 81,1%, caindo significativamente para 51,4% quando a faixa etária de referência é de 18 a 19 anos.
 
 Os números são ainda mais preocupantes quando se trata da escolaridade dos adolescentes internos. Entre os jovens em regime de internação, 90%, mesmo em idade compatível ao Ensino Médio, não chegaram a concluir nem mesmo o Ensino Fundamental. “São adolescentes excluídos da chamada sociedade do conhecimento”, afirma Carmen.
 
Um bom nível de escolaridade aumenta as chances de uma boa profissão, de boas colocações no mercado de trabalho, acesso ao consumo, conseqüente respeito perante a sociedade e formação de cidadania. Mas para esses excluídos do saber, todas essas possibilidades podem ficar mais difíceis de serem atingidas.
 
E onde faltam perspectivas e oportunidades, sobram motivos e incentivos para aproximação com a violência.
Uma pesquisa da UNESCO Mapa da Violência: Os Jovens do Brasil apresenta dados preocupantes, que colocam o Brasil no quinto lugar em um ranking mundial de taxas de óbito por violência conjunta (acidentes de transporte, suicídios, homicídios e outras violências), entre jovens de 15 a 24 anos. O Brasil aparece abaixo apenas de Colômbia, Rússia, Venezuela e Estônia e logo acima dos Estados Unidos, que ocupam o sexto lugar.
 
Por meio da pesquisa, observa-se que diversos fatores influenciam essa colocação, entre eles estão: as crescentes dificuldades de inserção no mundo do trabalho, os problemas da escolarização e do preparo profissional e a falta de perspectivas.
E se o papel preventivo da escola não teve êxito pela sua precariedade e desigualdade de atendimento, é inadmissível, ainda que seja real, que essa falha se repita num momento de reabilitação.
 
“Atualmente há inúmeras falhas nas escolas das unidades de internação: as salas são inadequadas, o material didático é praticamente inexistente, falta biblioteca e acesso a Internet, os professores são mal remunerados e não existem programas de formação continuada. Sem contar que a própria metodologia de ensino não é qualificada para atender esse segmento”, explica Carmen.
 
Para os adolescentes que cumprem medidas em semiliberdade ou liberdade assistida, a estrutura das escolas repete as mesmas deficiências, assim como a ausência de um projeto que atenda às especificidades do universo da internação como aponta a secretária.
 
O ambiente dos estabelecimentos de internação não tem se mostrado eficientes na sua tarefa de ressocializar os jovens e são, em sua grande maioria, espaços onde a sociabilidade se dá em termos ainda mais violentos.  
 
Atividades escolares, de esporte, de lazer e até mesmo profissionalizantes, em um ambiente estruturado e bem abastecido de materiais e profissionais competentes são fundamentais para a ressocialização desse jovem, pelas oportunidades de reinserção que elas podem oferecer e ainda pela possibilidade de atuar como possível antídoto para a reincidência.
 
No entanto, para que o sistema educacional exerça esse trabalho com os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, é preciso que na prática ele seja aplicado de forma coerente e apropriado ao contexto em que esses jovens estão inseridos nesse momento particular da sua trajetória de vida.
 
É necessária a construção de um projeto político pedagógico específico que respeite e contemple, entre outras coisas, o tipo de medida designada, o número de adolescentes que a estão cumprindo, as diversidades étnico-culturais dos adolescentes, suas limitações e dificuldades, entre outras particularidades.
 
“O MEC prevê a construção de uma metodologia específica, a partir de experiências piloto, nas unidades de internação das capitais brasileiras, onde se concentra a maior parte dos internos. Pretende-se também equipar as escolas das unidades com bibliotecas e oportunizar a inclusão digital, em parceria com o Ministério da Cultura”, explica.
 
SINASE
 
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), por meio da Subsecretaria Especial de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente (SPDCA), em conjunto com o Conanda, Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes e com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), organizaram a proposta do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, o SINASE, que está sendo implementado desde sua aprovação, em julho de 2006.
 
O processo de construção do SINASE concentrou-se especialmente num tema que tem mobilizado a opinião pública, a mídia e diversos segmentos da sociedade brasileira: o que deve ser feito no enfrentamento de situações de violência que envolvem adolescentes enquanto autores de ato infracional ou vítimas de violação de direitos no cumprimento de medidas socioeducativas?
 
O SINASE é um conjunto de princípios, regras e critérios, que abragem o caráter jurídico, político, pedagógico, financeiro e administrativo, que envolve desde o processo de apuração de ato infracional até a execução de medida socioeducativa, com a participação do Governo Federal, governos estaduais e municipais.
 
O Sistema recupera as normas do ECA, muitas vezes esquecidas, na priorização do meio aberto, isto é, medidas como a prestação de serviços e liberdade assistida em detrimento da internação. Também estabelece uma maior coordenação entre União, estados e municípios, institui práticas de controle social nas políticas e nas execução das medidas de recuperação e obriga a garantia da educação para os adolescentes nas unidades.
 
O SINASE estabelece parâmetros de atendimento, com ênfase nas ações de educação, saúde e profissionalização, indicando como devem ser as equipes interdisciplinares e a estrutura de unidades de internação. Busca, ainda, a idéia dos alinhamentos conceitual, estratégico e operacional, estruturado, principalmente, em bases éticas e pedagógicas.
 
Desde sua implantação, destaca-se o edital 2007 SEDH/CONANDA, onde foram previstas linhas de financiamento para: a municipalização das medidas em meio aberto nas capitais, constituição de centros de formação socioeducativa, apoio a seminários estaduais, realização de pesquisas, construção e reforma de unidades, reforma e equipagem de ambulatórios de saúde, entre outras atividades.
 
São grandes avanços para o real cumprimento do que determina o ECA no atendimento socioeducativo. Mas há ainda muitas barreiras para a consolidação de todos os direitos previstos para esses adolescentes.
 
A subsecretária da SEDH prevê três grandes desafios. “Primeiro: precisamos construir o necessário pacto federativo, que inclua os compromissos dos diferentes níveis de governo, incluindo o Legislativo e o Judiciário. O SINASE apenas determinou as responsabilidades e competências, mas não detalhou, por exemplo, os percentuais de investimento. Segundo: precisamos desmontar o chamado ‘modelo FEBEM’, ainda tão forte nas instituições, mesmo as mais recentes. E por último, destaco a necessidade de mobilizar as comunidades e a opinião pública no sentido da reversão de uma cultura punitiva em favor de políticas inclusivas de atendimento ao adolescente em conflito com a lei”, acredita Carmen. “É preciso uma mudança estrutural que desloque esse adolescente de problema à prioridade social”, conclui.
 
Escola de Passagem: um exemplo de que mudar é possível
 
Como se pode observar são inúmeros os desafios e grande a importância das escolas, em várias frentes, na formação e preparação dos jovens, sobretudo quando falamos do universo das medidas socioeducativas.
Uma medida bem executada, em meio fechado ou aberto, pode produzir novos cenários a esses adolescentes e até mesmo a suas famílias.
Um exemplo bem-sucedido do protagonismo da escola na aplicação de medidas socioeducativas é o projeto “Escola de Passagem” realizado no CEDEDICA, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do município de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul.
 
Iniciado em 2002, o projeto atende a adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em meio aberto. O “Escola de Passagem” tem o objetivo de reinserir os adolescentes que estão fora da escola formal ou em defasagem de idade e de série. “Essa defasagem escolar ainda existe, porém alguns adolescentes conseguem superar suas limitações, dificuldades e a exclusão que são expostos. Buscam seu espaço na sociedade por meio do ingresso no mercado de trabalho e no retorno à escola formal. Com isso, conseguem se reconhecer como indivíduo dotado de memória, com uma história, zelando por si e pelos outros, pelas suas coisas e pelas coisas dos outros.”, acredita a psicopedagoga e coordenadora do projeto, Daise Renata Noronha de Almeida.
 
As aulas são ministradas no próprio CEDEDICA, em um espaço que foi construído e organizado pelos próprios adolescentes. O “Escola de Passagem” está vinculado à Escola Municipal de Ensino Fundamental Mathilde Ribas Martins.
 
O aproveitamento escolar dos alunos é realizado através de: pareceres pedagógicos, observação e seguimento das regras de conduta estabelecidas pelo grupo; freqüência escolar; demonstração de atitudes positivas dentro da instituição e perante a família e a sociedade e participação nas atividades propostas. As avaliações são realizadas a cada trimestre pelos professores, equipe técnica e coordenação das medidas socioeducativas e encaminhadas à escola Mathilde Ribas Martins.
 
O projeto realiza ainda uma nova proposta pedagógica, onde a escola trabalha com uma metodologia de ensino mais atrativa, na qual a ação preventiva é prioridade. “Nossa proposta pedagógica busca trabalhar conteúdos reais, significativos para os adolescentes em medida socioeducativa em meio aberto. Nessa proposta o conhecimento de mundo do aluno é levado em conta para que se possam resgatar os valores morais e éticos, orientando sempre a discussão e os trabalhos para a valorização do fortalecimento das virtudes de cada um”, explica Daise.
 
No espaço pedagógico da escola, os adolescentes de 1ª a 6ª série recebem uma educação informal que possa garantir a inclusão escolar e social, e o acesso a uma educação diferenciada e de qualidade. Além disso, o “Escola de Passagem” busca desenvolver os aspectos cognitivos, emocional e afetivo, de acordo com as necessidades individuais.
 
Além da grade curricular convencional das respectivas séries que os adolescentes estejam cursando, outras atividades também são ministradas aos jovens. “São oferecidas oficinas de teatro, informática, esporte (futsal), violão, xadrez, reforço escolar, grupo psicoterapêutico e cursos como os de: eletricista predial; jardinagem; reciclagem (garrafa pet); meio ambiente e ética; desenho (caricatura) e pintura em tela, além do desenvolvimento de projetos pedagógicos direcionados à realidade dos alunos com releitura de obras (grafitagem); coletânea de poesias, textos, histórias; exposição de trabalhos (varal de poesias, pintura em tela) realizado no Centro Municipal de Cultura e viagens de estudo e de lazer”, afirma.
 
Ainda segundo a coordenadora, as aulas são desenvolvidas através do trabalho com conteúdos significativos e contextualizados. Outra estratégia de “ensino-aprendizagem” são os trabalhos em grupo onde o aluno exerce o papel de sujeito do processo, com postura crítica onde o professor é o mediador do conhecimento. “Com esta proposta almejamos agir preventivamente na reincidência ao ato infracional que está na maioria dos casos, instaurado no núcleo familiar. Por isso, o CEDEDICA também oferece aos familiares dos alunos alternativas de inclusão e ressocialização como: a escolinha de esportes (para irmãos, primos, tios, sobrinhos); a cooperativa de mães (para mães, tias, avós, primas); cooperativa florir (para os adolescentes em cumprimento da medida, como alternativa de profissionalização e geração de renda); atendimento individualizado de psicologia, psicopedagogia e enfermagem. Com estas ações a ONG atende diretamente cerca de 400 pessoas ao mês”, acrescenta a coordenadora.
 
Agregado aos demais projetos do CEDEDICA, o “Escola de Passagem” proporciona um espaço prazeroso de aprendizagem, um ambiente de inclusão e de ressocialização, que vise à reinserção social desses adolescentes. Respeitando-os, valorizando-os e, acima de tudo, auxiliando-os no resgate de suas perspectivas e de sua cidadania. “Na aplicação de medidas socioeducativas, o papel da escola é de orientar o aluno na redescoberta de seus valores, direitos e deveres, trabalhando em forma de projetos significativos para sua vida e elevando sua auto-estima”, conclui Daise.
 
Com esse trabalho, o “Escola de Passagem” se torna um exemplo de como a educação pode reescrever a história desses adolescentes e ratifica a lição de Paulo Freire, de que ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.
 
Fonte: Pro-Menino

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CMDCA - IPOJUCA

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Ipojuca, realizou no dia 22/09/2011, Reunião Extraordinária, com a seguinte pauta:
  1. Apresentação do Projeto Turismo e Proteção à Infância, a ser realizado pela Childhood Brasil no município;
  2. Apresentação do Regimento Eleitoral para a escolha dos Conselheiros(as) Tutelares;
  3. Realização da Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - 2011;
  4. Informes.
Estiveram presentes na reunião, José Rufino, Presidente do CMDCA, Madalena Fucks, Roseane Morais e Gabriela Amazonas, Assessoras Técnicas e Coordenadoras de projetos da Childhood Brasil, José Carlos Albuquerque, Vice-Coordenador do CEDES, Nivaldo Pereira, Assessor em Ipojuca da Childhood Brasil, Josiane Dias, da ASBECA, José Augusto Nascimento, do Gabiente do Prefeito, Maria Edite Rodrigues, do Sindicato Rural, Amaro Ricardo Ferreira, da Secretaria de Educação, Maria Netânia Dias, Assessora Administrativa do CMDCA e Lucinalva Queiroz, Secretária Executiva do CMDCA. A reunião foi realizada na sede do CMDCA, em Ipojuca.

CEDCA - CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE PERNAMBUCO

O que é o CEDCA/PE

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente -CEDCA/PE é um órgão vinculado ao Gabinete do Governador, que tem a missão de formular a política de atendimento à criança e ao adolescente, coordenar, controlar e fiscalizar a sua execução. O CEDCA/PE é composto por 14 membros efetivos, sendo sete representantes da Sociedade Civil, eleitos por organizações não-governamentais, e sete nomeados pelo Governo Estadual.
Compete ao CEDCA/PE
I - formular a política de proteção, promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, bem como coordenar, controlar, e fiscalizar sua execução;
II - estabelecer critérios, prazos e condições para utilização dos recursos, programas e ações de assistência integral à criança e ao adolescente, e fiscalizar a sua aplicação;
III - emitir parecer prévio à concessão de subvenção ou auxílio a entidades de proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente;
IV - orientar os agentes públicos no fiel cumprimento da política de proteção, promoção de defesa dos direitos da criança e do adolescente;
V - fixar normas, critérios e roteiros de planos de aplicação para a utilização de recursos do Fundo Estadual de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente - FEDCA/PE, destinados a programas e ações de assistência integral à criança e ao adolescente e fiscalizar a sua aplicação;
VI - receber apreciar e se manifestar quanto às denúncias e queixas de qualquer natureza que lhe forem formuladas, respeitadas as competências dos Conselhos Nacional e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e dos Conselhos Tutelares;
VII - apoiar e fortalecer Conselhos Municipais de defesa dos direitos da Criança e do Adolescente e Conselhos Tutelares, mediante cooperação técnica;
VIII - fortalecer os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e Adolescente, com repasse de financiamento de Fundo, mediante apresentação de projetos segundo os critérios deliberados pelo Pleno;
IX - controlar a execução financeira do FEDCA;
X - manter permanente articulação com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, congêneres estaduais e municipais;
XI - deliberar, recomendar e emitir resoluções e pareceres sobre a política, programas e projetos na área da criança e do adolescente;
XII - elaborar programas anuais de capacitação para os seus membros e integrantes da Diretoria;
XIII - elaborar e encaminhar proposta orçamentária do plano de ação ao Poder Executivo para incorporação no Orçamento Público Estadual, atendidos os prazos legais e normativos;
XIV - gerir os recursos do Fundo Estadual de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente;
XV - emitir parecer prévio à liberação, repasse, transferência de verba ou recursos financeiros para investimento específico em crianças ou adolescentes, pelo Estado a Municípios e entidades não-governamentais, conforme o art. 3º da Lei nº 11.232, de 14 de julho de 1995;
XVI - acompanhar e intervir na elaboração da Proposta Orçamentária, da Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO e do Plano Plurianual - PPA, bem como na execução do Orçamento do Estado, e Programação Executiva, indicando as modificações necessárias à consecução dos objetivos da política formulada para a promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente;
XVII - dispor sobre o seu Regimento Interno.

História

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco – CEDCA/PE foi criado pela Lei Estadual nº. 10.486, em 17 de setembro de 1990. Desde a sua fundação, o órgão é vinculado ao Gabinete do Governador. É considerado o primeiro Conselho Estadual criado no país, tendo iniciado sua gestão em março de 1991.

Sua criação foi amparada no art. 88, II da Lei Federal 8069/90, que seguindo a esteira de pensamento da Constituição Federal de 1988, introduziu no ordenamento jurídico a gestão pública das políticas em diversas áreas, através da participação de representantes da Sociedade Civil e do Poder Público.

Atualmente, o CEDCA/PE  tem como presidente Maria Madalena Peres Fucks, conselheira  não-governamental, representando a Cidade Evangélica dos Órfãos- CEO, como 1ª vice-presidente, Rosa Barros, conselheira governamental, representando o Gabinete do Governador e como 2ª Vice-presidente, Maria de Lourdes Vianna Vinokur, conselheira não - governamental, representando a Associação de Portadores de Direitos Especiais-PODE.

Ex-Presidentes do CEDCA/PE:
Ramiro Ludena Ámigo (1990-1991)

Silvino José do Nascimento Neto (1992)

Olga Câmara (1993-1994)

Ademar de Oliveira Marques (1995)

Olga Câmara (1996)

Silvino José do Nascimento Neto (1997-1998-1999)

Luís de La Mora (2000)

Ivan Porto (2001)

Francisco de Assis (2002)

Silvino José do Nascimento Neto (2003)

Cláudio Augusto (2004) Patrícia Xavier (2004)

Raquel Correa de Araújo (2005)

Patrícia Virgínia Ramos Xavier (2006)
Almery Bezerra de Melo (2007)
Eleonora Pereira da Silva (2008)
Rosa Barros (2009)
Rosa Barros (2010)

Composição

REPRESENTANTES GOVERNAMENTAIS

GABINETE DO GOVERNADOR (Titular: Rosa Barros; Suplente: Danielle de Belli Claudino)
SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E DIREITOS HUMANOS (Titular: Paulo Roberto Xavier de Moraes; Suplente: Ana Lúcia Gusmão Brindeiro)
SECRETARIA DE SAÚDE (Titular: Marta Cristina Santos Wanderley; Suplente: Virgínia Holanda de Moura)
SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO (Titular: Aristéia José do Nascimento Viegas e Santana ; Suplente: Maria Rodrigues da Silva)
SECRETARIA DA CRIANÇA E DA JUVENTUDE (Titular: Almeri Bezerra de Melo;  Suplente: José Fernando da Silva)
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO (Titular: Regina Celi de Melo André; Suplente: Vera Lúcia Braga de Moura)
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL (Titular: Zanelli Gomes Alencar; Suplente: Daniel Ferreira de Lima Filho)

REPRESENTANTES NÃO-GOVERNAMENTAIS

CENTRO DE ATENDIMENTO LAR DO BEM TE VI (Titular: Maria de Fátima Menezes da Silva; Suplente: Érica da Costa Vasconcelos)
CIDADE EVANGÉLICA DOS ÓRFÃOS – CEO (Titular: Maria Madalena Peres Fucks; Suplente: Alberto Silva Correia)
ASSOCIAÇÃO SANTA CLARA (Titular: Gênova Maria Silva; Suplente: Amaro Gomes)
CENTRO DE ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO SOCIAL - CEDES (Titular: José Rufino da Silva; Suplente: Eliezer Cipriano Tenório)
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DE SERRA TALHADA - CEDECOMST (Titular: Maria Aparecida do Nascimento; Suplente: Josenildo André Barbosa)
AÇÃO SOCIAL PARÓQUIA PALMARES - ASPP (Titular: Ricardo Alexandre da Silva; Suplente: Eudes de Freitas Morais)
ASSOCIAÇÃO PODE – PORTADORES DE DIREITOS ESPECIAIS (Titular: Maria de Lourdes de Andrade Viana Vinokur; Suplente: Nipson Richard Oliveira de Freitas)

PRESIDENTE

Maria Madalena Peres Fucks

1ª VICE - PRESIDENTE

 Rosa Barros

2ª VICE - PRESIDENTE

Maria de Lourdes Viana Vinokur

DIRETORA EXECUTIVA

Ana Célia Cabral de Farias

Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
Rua Correia de Araújo, n.93, Graças, CEP: 52011-290, Recife/PE. Telefone 31847000

Fonte: CEDCA/PE

CEDCA/PE seleciona projetos

Durante Assembleia Ordinária realizada no dia 01 de setembro de 2011, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDCA/PE resolveu tornar pública, por meio de resolução, a realização da primeira etapa do processo de seleção de projetos a serem financiados com recursos da Petrobrás via Fundo Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, em 2011.

De acordo com a Resolução nº 32/2011 do CEDCA/PE, as propostas dos projetos deverão estar alinhadas, no mínimo, a uma das ações definidas na Resolução Nº 137, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - CONANDA como: Desenvolvimento de programas e serviços complementares ou inovadores da política de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente; Acolhimento, sob a forma de guarda, de criança e de adolescente, órfão ou abandonado; Programas e projetos de pesquisa, de estudos, elaboração de diagnósticos, sistema de informações, monitoramento e avaliação das políticas públicas de promoção, proteção, defesa e atendimentos dos direitos da criança e do adolescente; Programas e projetos de capacitação e formação profissional continuada dos operadores do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente; Desenvolvimento de programas e projetos de comunicação, campanhas educativas, publicações, divulgação das ações de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente; e Ações de fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da criança e do adolescente.
Os projetos e documentações poderão ser entregues no setor de protocolo do CEDCA/PE até o dia 30 de setembro de 2011. Além disso, deverão ser encaminhados em formulários estabelecidos pela Petrobrás. 

Fonte: CEDCA/PE

CEDCA/PE aprova resolução sobre Conferências



O maior evento na área da infância, a Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente terá como objetivomobilizar o sistema de garantia de direitos para a implementação e monitoramento da Política Nacional e o Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. A Conferência pretende reunir mais de 1879 participantes entre eles conselheiros de direitos e tutelares, representantes de organizações governamentais e não-governamentais, Ministério Público, Poder Judiciário e adolescentes dos 184 municípios do Estado de Pernambuco.
Para orientar a realização as etapas Municipal e Estadual, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDCA/PE aprovou, em Assembleia Ordinária, a Resolução nº 33 que estabelece o tema central: “Mobilizando, implementando e monitorando a política e o plano decenal de direitos humanos de crianças e adolescentes no Estado, no distrito de Fernando de Noronha e nos municípios”, e também os seguintes eixos orientadores: Proteção e Defesa dos Direitos; Protagonismo e Participação de Crianças e Adolescentes; Controle Social da Efetivação dos Direitos; Gestão da Política Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.
A Resolução orienta que os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente realizem a Conferência Municipal até o dia 13 de Novembro de 2011, onde deverá ser feita a escolha dos Delegados/as para a etapa Estadual. Confira o Texto Base e a Resolução nº 33/2011. 
Fonte: CEDCA/PE

Reconstrução pós-desastres

No dia 21 de outubro, a Relatora Raquel Rolnik apresentará à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a nova versão do relatório sobre reconstruções pós-desastres naturais e direito à moradia, ao qual foram incorporadas contribuições feitas por governos quando da apresentação da sua primeira versão ao Conselho de Direitos Humanos, em março passado, e incluídos estudos de casos recentes, como o Haiti e o Paquistão. O relatório está disponível para download na internet.

O relatório analisa o funcionamento das agências nacionais e internacionais de socorro, como a ajuda e compensação financeira é calculada e distribuída e as consequências da falta de segurança de títulos de moradia e de terra nos processos de reconstrução.

O estudo também aborda o intervalo que geralmente ocorre entre as fases emergencial-humanitária e de desenvolvimento definitivo nas situações pós-conflitos e pós-desastres, que leva os refugiados e migrantes a terem de morar em alojamentos emergenciais por muitos anos. Isso consolida laços sócio-territoriais nos novos assentamentos e torna ainda mais complexo o reassentamento das famílias nos lugares de origem ou em novos territórios.

Pelo endereço http://direitoamoradia.org/pt/conheca/quais-sao-os-enfoques/pos-desastres-e-pos-conflitos/ é possível saber mais sobre o assunto e baixar o relatório.
Foto: Blog do Planalto, no Flickr

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL PARA A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR
Confederação Brasileira - OMEP – Brasil - CNPJ nº 42.103622/0001-95
Conselho Nacional Assistência Social 28978.000567/94-75
Declarado de Utilidade Pública Federal Lei nº 7725/93-68



A Organização Mundial para Educação Pré Escolar OMEP, comemora no último sábado do mês de setembro, dia 24, o Dia Nacional da OMEP.

Durante esta semana, as OMEPs do Brasil realizarão diversas atividades junto as comunidades locais, com o objetivo de reafirmar seu compromisso social e sua missão de trabalhar pela defesa dos direitos da criança pequena.

Para conhecimento de todos e divulgação, encaminhamos a logomarca alusiva à data, construída com os desenhos das crianças atendidas pelas OMEPs de Mato Grosso do Sul, Maranhão e São Paulo.

Atenciosamente,

                                                                  OMEP/BRASIL

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pessoas ignoram primeiros sinais de Mal de Alzheimer


Doença é o tipo de demência mais comum e resulta em perda de memória no estágio inicial
Crédito : Divulgação

Estima-se que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de Alzheimer, o tipo de demência mais comum a afetar o cérebro. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas têm a doença.

Um relatório divulgado, na semana passada, pela organização Alzheimer´s Disease International, que reúne entidades em vários países, revelou um dado preocupante. Mais de 75% das pessoas que vivem com a doença no mundo não foram diagnosticadas.

Para o neurologista do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Rodrigo Shultz, o diagnóstico da doença ocorre tardiamente porque a maioria ignora os primeiros sinais da doença. “Tanto a família quanto o médico negligenciam, de forma involuntária, as queixas das pessoas”, disse.

Segundo ele, diferentemente de outras doenças, o Alzheimer não é identificado com um único exame, mas a partir de uma análise do histórico médico do paciente e uma avaliação neurológica detalhada.

O primeiro sintoma é a dificuldade de lembrar fatos recentes, como o local onde está um objeto de uso frequente. Segundo o médico, cerca de 30% dos casos são identificados na fase intermediária, quando o doente encontra dificuldade em fazer atividades rotineiras, o que é percebido por amigos e parentes. “A dona de casa, por exemplo, que se atrapalha na cozinha ou com as finanças”, explica Shultz, membro da Academia Brasileira de Neurologia. 

Com o passar do tempo, a doença progride e os sintomas pioram. A perda de memória aumenta e o paciente apresenta desorientação, mudanças no humor e deixa de reconhecer pessoas próximas. No estágio final, a pessoa com a doença não consegue andar, falar e comer  e enfrenta complicações, como fraturas de membros, por causa de quedas, e feridas pelo corpo, por ficar longos períodos deitada. A terceira idade é a faixa etária com o maior número de registros da doença. 

Cuidar de um portador de Alzheimer afeta também a rotina da família. Administrar trabalho, filhos, estudos e o avanço da doença resulta em elevada pressão psicológica sobre o responsável em cuidar do parente doente.

A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) no Rio de Janeiro oferece curso com orientações sobre como cuidar dos parentes acometidos pela doença e dar-lhes melhor qualidade de vida.

A presidenta da associação, Eliana Faria, alerta que o aumento de casos da doença nos próximos anos vai exigir a formação de cuidadores capacitados para atender os idosos.  “Quanto mais pessoas apresentam a doença, há menos lugares com atendimento especializado”, disse.

Em alguns estados, associações promovem hoje (21) atividades para esclarecer sobre os sintomas doença por causa do Dia Mundial do Alzheimer.

Não existe cura para a doença. Os remédios e o tratamento conseguem apenas protelar o avanço e aliviar os sintomas. O paciente pode viver, em média, de dez a 12 anos com a doença. A sobrevida, segundo  Shultz, está relacionada a fatores genéticos e ao estilo de vida do portador, como a prática de exercícios físicos e a predominância de atividade intelectual, como a leitura.

Fonte: Agência Brasil

Dilma Rousseff aborda crise global em discurso na ONU


Dilma disse que Brasil está apto a ajudar os países em desenvolvimento
Crédito : Agência Brasil

Ao discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na manhã desta quarta-feira (21), a presidenta Dilma Rousseff disse que a crise global é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política. Dilma destacou que, se a situação não for contida, pode se transformar em uma "grave ruptura política e social" sem precedentes.

Primeira mulher a discursar na abertura da assembleia da ONU, Dilma defendeu a necessidade de esforços de integração das nações para a superação da crise e retomada do crescimento. “Não haverá retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificaram os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e das demais instituições multilaterais como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial”.

Para ela, “a ONU e essas organizações precisam emitir com máxima urgência sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica”.

Dilma disse ainda que o Brasil está apto a ajudar os países em desenvolvimento e que é preciso lutar contra o desemprego no mundo.

Fonte: Agência Brasil

SEMINÁRIO "BANDA LARGA COMO DIREITO: BALANÇO DO PNBL E PERSPECTIVAS PARA UNIVERSALIZAÇÃO DO SERVIÇO"

Indignem-se!

A estória poderia começar na França, em dezembro de 2010, com um grito lançado por um velho homem. Indignez-vous! é o título de um livro fininho, de menos de 30 páginas, que em poucas semanas tornou-se um best-seller. Seu autor, Stéphane Hessel, aos 93 anos de idade, apresenta e analisa os momentos da sua vida que marcaram seu engajamento político. E deixa uma sábia e profunda reflexão sobre o mundo de hoje, com uma mensagem para construção do mundo de amanhã: não perder a capacidade da indignação...

Stéphane Hessel foi membro do Conselho Nacional da Resistência francesa, foi preso pelos nazistas, torturado e escapou duas vezes dos campos de concentração. Foi co-redator do programa de reconstrução nacional da França após a Segunda Guerra Mundial, e principalmente da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Olhando para o mundo de hoje, Hessel percebe que as conquistas sociais e os valores que caracterizaram o período de construção política pós-guerra estão ameaçados. Lembrando Sartre que defende que os homens são responsáveis enquanto indivíduos e não devem transferir essa responsabilidade para nenhum poder acima ou para nenhum deus, ele conclama as novas gerações a expressar sua indignação.

“Vocês não têm as mesmas razões óbvias de engajamento” reconhece. “Para nós resistir era não aceitar a ocupação alemã, a derrota. Era relativamente simples. Simples como o que veio depois, a descolonização...” E observa: “Minha longa vida me deu uma sucessão de motivos para me indignar.” Mas o mundo de hoje, de fato, é mais complexo, dominado pelas interconexões e interdependências. “Tornou-se mais difícil entender as forças que nos governam” acrescenta Hessel. Mesmo assim, são muitas questões que se tornaram insuportáveis, muitas razões que justificam hoje nossa reação: as desigualdades crescentes entre os mais ricos e os mais pobres, as violações frequentes dos direitos humanos, a supremacia do poder financeiro, a decadência do planeta...

Hessel condena a indiferença, “a pior das atitudes”, enaltece a organização dos cidadãos e expressa sua satisfação em constatar o fortalecimento de movimentos sociais e de ONGs nas últimas décadas. Para ele, o melhor caminho da resistência é a não-violência, mesmo reconhecendo que o uso da violência às vezes é um meio para fazer cessar a própria violência. “É preciso entender que a violência vira as costas para esperança.” Conclui pregando uma insurreição pacífica contra o modelo produtivista do capitalismo ocidental, contra os meios de comunicação de massa e seus valores, e a favor da ética, da justiça e da sustentabilidade do planeta. E encerra: “Criar é resistir. Resistir é criar.”

A estória poderia encerrar aqui, se não fosse o próprio curso da História. A semente de indignação plantada por Hessel encontrou muito ouvidos, começando pelos jovens. Muitos deles não chegaram a ler o seu livro, mas as palavras do velho guerreiro incentivaram, sintetizaram e profetizaram uma onda de levantes populares em muitas regiões do planeta.

A primavera do mundo árabe deixou eclodir movimentos revolucionários que já conseguiram derrotar três ditaduras: na Tunísia, no Egito e na Líbia. Na Espanha, movimentos que se auto-denominaram de “Indignados” surgiram em maio. Assim como seus vizinhos árabes, fazem amplo uso da internet e de redes sociais e ocupam as praças. Denunciam a falta de acesso ao mercado de trabalho, a corrupção e expressam sua descrença no sistema de democracia parlamentar e nos partidos. Repudiam a influência do poder financeiro nas políticas, e reivindicam uma democracia mais direta e o acesso a direitos.

E o vento levou a semente ainda para outros países: Islândia, Grécia, Inglaterra e mais recentemente o Chile... E o Brasil? Seguirá o mesmo caminho? Já existem muitos motivos e muita gente indignada... Quem sabe se o Rio de Janeiro, para onde está prevista a Cúpula dos Povos Rio+20 em junho de 2012, não se torne o palco da união e da indignação dos povos... Nós veremos lá!


Damien Hazard
Economista, coordenador da ONG Vida Brasil e diretor executivo da Associação Brasileira de ONGs (ABONG)

ONU abre inscrição para prêmio “Água, fonte de vida”

O Escritório das Nações Unidas para Apoiar a Década Internacional para Ação “Água para a Vida” 2005-2015, que implementa o Programa da Década da Água da ONU sobre Advocacia e Comunicação (UNW-DPAC) e o Programa de Avaliação Mundial da Água (WWAP), abriu a nomeação de candidaturas para a 2ª edição do Prêmio de Melhores Práticas da ONU-Água, “Água, fonte de vida”.

O objetivo do prêmio é promover os esforços para cumprir os compromissos internacionais feitos sobre a água e sobre assuntos relacionados à água até 2015, através do reconhecimento do destaque das melhores práticas que podem assegurar um gerenciamento sustentável a longo prazo dos recursos hídricos e contribuir para o alcance dos objetivos e metas contidos nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), na Agenda 21 e no Plano de Implementação de Joanesburgo.

O prêmio é entregue, anualmente, para duas categorias: uma para melhores práticas de gestão da água e outra, para as melhores práticas de participação, comunicação, sensibilização e educação. A cada ano, uma ênfase especial é dada ao tema selecionado para o próximo Dia Mundial da Água, celebrado anualmente em 22 de março, como forma de concentrar a atenção sobre a importância da água e da defesa da gestão sustentável dos recursos hídricos.

A cada ano, a ONU-Água concorda em destacar um aspecto específico. Em 2012, será dado foco especial ao tópico “Água para Segurança Alimentar”. O prêmio será entregue em uma cerimônia especial no Dia Mundial da Água, em 22 de março de 2012, e o período de inscrições vai até 30 de setembro de 2011.

Para informações completas sobre como participar, acesse http://www.un.org/waterforlifedecade/waterforlifeaward.html

Fonte: Mobilizadores

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ainda há tempo de participar de pesquisa nacional sobre Conselhos dos Direitos e Tutelares


Os Conselhos dos Direitos e Tutelares de todo o Brasil ainda têm 15 dias para participarem da pesquisa “Conhecendo a Realidade 2011”. Até o momento, já foram recebidos cerca de 3.500 questionários preenchidos. Esse número pode aumentar bastante com a continuidade de contribuições dos Conselhos até a data final, 30 de setembro de 2011 .
Até o momento, cinco estados estão acima da média de participação na pesquisa: Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. Como a proposta é construir um panorama o mais próximo possível da realidade nacional, é muito importante que os municípios de todas as unidades federativas tenham boa representatividade para que sua situação local também seja conhecida.
Em sua primeira edição, em 2006, a pesquisa trouxe dados importantes sobre o funcionamento desses Conselhos, o que contribuiu para as discussões que culminaram com a publicação de um novo normativo (Resolução 139 do Conanda) com definições como os critérios para a elegibilidade dos conselheiros, orientações para o atendimento dos casos e a obrigatoriedade de acesso aos registros dessas instituições, entre outros. E no tema “capacitação” propiciou a criação de Escolas de Conselhos em diversos estados.
Pesquisa - A pesquisa “Conhecendo a Realidade”, é uma iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA). O levantamento tem como objetivo conhecer as características de organização, gestão e funcionamento dos Conselhos dos Direitos e Tutelares de todo o Brasil, instituições importantes na implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao longo dos últimos 20 anos.   

Fonte: SDH e Pró-Menino

Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância


Quando: 20 e 21 de outubro
Onde: Teatro do WTC – Av. das Nações Unidas, 12.559 – Brooklin Novo – São Paulo – SP
Hora: das 8h às 17h

A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal realiza, em outubro, o Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância. Sediado em São Paulo (SP), o evento terá dois dias de duração e contará com diversas atividades, como palestras, debates e painéis.
Para acessar a programação completa e se inscrever, acesse http://simposio.fmcsv.org.br/Paginas/default.aspx

Fonte: Pró-Menino

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito à Convivência Familiar e Comunitária


Reflexões iniciais sobre os conceitos (e os preconceitos) que definem suas ações: a família em foco

Silvia Losacco*

O Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Criança e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, a partir de agora designado pela sigla PNCFC, é resultado de um processo participativo de elaboração conjunta, envolvendo representantes de todos os poderes e esferas de governo, da sociedade civil organizada e de organismos internacionais, os quais compuseram a Comissão Intersetorial que elaborou os subsídios apresentados ao Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes - CONANDA e ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. É um conjunto de diretrizes, socializadas, principalmente, por meio da expressão escrita; texto embasado por instrumentos legais e definições conceituais.
Os conceitos (também) pertinentes ao PNCFC são palavras tomadas como movimentos que se enriquecem nas práticas diárias, não devendo limitar-se a significados estanques. É preciso compreender o significado de cada deles no seu determinado contexto histórico. A partir dos novos significados construídos, as práticas se renovam e ganham vida. Por vezes, a não reflexão contextualizada dos conceitos que norteiam as práticas cotidianas acarreta em preconceitos que paralisam, no tempo e no espaço, as conquistas necessárias que determinam as garantias dos direitos de cada um dos sujeitos, de núcleos familiares, das comunidades, das sociedades e da humanidade.
Sucinto resgate sócio histórico do PNCFC
O artigo "Órfãos de pais vivos" do Jornal Correio Braziliense em 09 de janeiro de 2002 foi o estopim para o compartilhar das indignações de um grupo de pessoas que se propôs a encontrar as formas de enfrentamento para os abusos intoleráveis da diversidade de violências sofridas por crianças e por adolescentes no dia-a-dia;  violências cometidas por pessoas ou por instituições, resultado de negligência e/ou abandono, de abuso sexual, de agressões físicas e/ou psicológicas; do rompimento do vínculo familiar e da institucionalização por motivo de pobreza.
Do esforço coletivo nasceu a Caravana da Cidadania. Outras ações decorreram deste movimento catalisador: formação do Comitê de Abrigos em setembro de 2002; formação de uma Comissão Intersetorial (de 10/2004 a 04/2005); Consulta Pública (06 e 07 de 2006); primeira Assembléia Conjunta entre o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e o Conselho Nacional da Assistência Social (CNAS) em 13 de dezembro de 2006, momento de aprovação do PNCFC; Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente de 2007, quando o Plano fez parte dos temas de debates e das resoluções.
Marco nas políticas públicas no Brasil enquanto política de Estado, o PNCFC visa balizar a qualificação de profissionais para os enfrentamentos necessários, ao mesmo tempo em que promove o rompimento com a cultura da institucionalização. Sua base é o fortalecimento e a manutenção dos vínculos familiares e comunitários fundamentais na estruturação e no desempenho do papel de sujeitos e cidadãos das crianças e dos adolescentes. Para tanto, suas ações estão diretamente relacionadas ao investimento nas políticas públicas de atenção à família.
Dentre as nove diretrizes que compõem o conjunto de ações que são propostas para serem desenvolvidas no período de 2007 - 20015 estão:
• Centralidade da família nas políticas públicas;
• Primazia da responsabilidade do Estado no fomento
de políticas integradas de apoio à família;
• Reconhecimento das competências da família na sua
organização interna e na superação de dificuldades.
Assim, vale aqui refletirmos sobre o conceito "Família".

Quando falamos "família", estamos nos referindo a que? Será que todos, pessoas e instituições (judiciário, executivo, legislativo e sociedade civil organizada), ao utilizarem esse conceito querem expressar a mesma coisa? Afinal, o que é família?
Na atualidade, a família deixa de ser aquela constituída unicamente por meio do casamento formal. Hoje, diversifica-se e abrange as unidades familiares formadas seja pelo casamento civil ou religioso, seja pela união estável; seja por grupos formados por qualquer um dos pais ou ascendentes e seus filhos, netos ou sobrinhos; seja por mãe ou pai solteiros; seja pela união estável de homossexuais. Acaba, assim, qualquer discriminação relacionada à estrutura das famílias e se estabelece a igualdade entre os filhos legítimos, naturais ou adotivos.
Apesar de vermos hoje a configuração familiar modificar-se profundamente, o imaginário social (ou o que na nomenclatura acadêmica é chamado de "representação social") de família ainda é o modelo estrutural de família burguesa como norma e não como um modelo construído historicamente, aceitando se e perpetuando-se os valores, as regras, as crenças e os padrões emocionais impressos nesta representação. As interpretações sobre as novas configurações e sobre as inter-relações entre aqueles que a compõem ainda são feitas no contexto estrutural da família monoparental. Quando se apresenta diferente desta referência, ainda é denominada como “desestruturada” ou “incompleta”, fato considerado a gênese de todo e qualquer problema de ordem emocional e/ou comportamental. Mesmo com todos os avanços, ainda é vigente a confusão entre casamento e família;  entre casamento e parceria sexual; entre parceria sexual e vínculo afetivo.
Aos que compõem uma configuração “diferente”, por desviarem das normas instituídas, atribuem-se discursos de caráter estigmatizantes que expressam incompetência ou menos valia. Não é raro compor o discurso acadêmico, político, jurídico ou da mídia o repúdio da conduta feminina em ter uma prole numerosa.
Vale salientar que a família, como organismo natural, não acaba e, enquanto organismo jurídico requer uma nova representação; mesmo com as últimas alterações no Código Civil.
Seja qual for a sua configuração, as estruturas familiares reproduzem as dinâmicas sócio-históricas existentes. Assim, movimentos da divisão social do trabalho, modificações nas relações entre trabalhador e empregador e o desemprego estão presentes e influenciam o sentido e a direção das famílias.
Recebendo o impacto das transformações advindas do contexto socioeconômico em que se insere, a família, como elemento social, é motivo de constantes alterações,
(...) algumas mudanças são facilmente reconhecidas. A mudança central do papel da mulher, do controle da natalidade, os novos laços conjugais e as novas relações familiares, (...) as questões geracionais (jovens e velhos nas famílias), a nova paternidade (...) mudanças [que] implicam em ganhos e custos emocionais e sociais (Vitale, 2003).
Essas alterações incidem sobre a qualidade da apreensão, da função e do desempenho dos papéis intra e extranúcleo familiar. A complexidade dessa estruturação, criando diferentes organizações e modos de relacionamentos familiares, nos obriga a desenvolver uma capacidade para aceitar a família tal como ela se constitui em face dos desafios que enfrentou, em lugar de procurar nela o modelo que temos como representação.
A efetivação da visão de mundo impressa no PNCFC no contexto vigente e o saber necessário de quem realmente compõe uma determinada rede familiar requer perguntar à criança e/ou adolescente: com quem se sente protegido?; quem são os que compõem seu vínculo afetivo?; qual a sua referência de pertencimento?. Essa escuta poderá estabelecer junto com a criança e o adolescente as novas formas de enfrentamento para os desafios da não institucionalização.
“Corrigir o espaço real e criar nova ordem;
Não diga nunca ‘isto é natural’.
Perceba o horrível atrás do que já se tornou familiar.
Sinta o que é intolerável no dia-a-dia que se aprendeu a suportar.
Inquiete-se diante do que se considera habitual.
Conheça a lei e aponte o abuso.
E, sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio!”
Bertolt Brecht


*Psicóloga psicodramatista, mestre em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (1990) e doutorada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Atua na área das políticas sociais e públicas para crianças, adolescentes, famílias e comunidade na formulação, coordenação, implantação, acompanhamento e avaliação de projetos, programas e políticas; e, na formação de profissionais que atuam na garantia dos direitos da criança e do adolescente. Dentre outros projetos para organismos internacionais e nacionais, foi consultora da SNPDCA - Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e o Adolescente e UNFPA para a elaboração do Relatório da Convenção dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas. Foi Pesquisadora convidada do Programa de Estudos Pós-graduados em Serviço Social da PUC-SP para a Cocoordenação do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente, de 2003 a 2009. Atualmente é coordenadora geral do Projeto "Convivência Familiar e Comunitária de Crianças e Adolescentes: Direitos Humanos e Justiça", financiado pela SDH/Conanda, com parceria da ABMP.

Fonte: Portal Pró-Menino.